sexta-feira, novembro 13, 2009

olhares obliquos
reticências no pensar
caminho na ponte incerta do teu sorriso.
Wilson Roberto Nogueira

quarta-feira, novembro 11, 2009

A dor doia tanto
O que ele tinha haver com ela?
Ela doia tanto que doirava a noite e domava os dias,
tão presos de sangrar que não disparavam tropéis alucinados
rumo as covas dos entardeceres.
A dor bebia a vida,
gole a gole se deliciava.
Quando da última gota bebeu a dor,sofreu.
E respirei livre por um momento.

Wilson Roberto Nogueira

quarta-feira, novembro 04, 2009

A menina estende a mãozinha;
como é breve o brilho da moeda.
Wilson Roberto Nogueira

terça-feira, novembro 03, 2009

Claude Levi-Strauss

domingo, novembro 01, 2009

‘No hay un solo camino sobre la mar
sin su contrario,
no hay maneras de estar y no estar donde se viaja’.

‘Partida’ , in Terredad .

Octávio Paz

Picolé de chulé

Aquela calçada, banguela, chupou a meia pelo buraco da sola do passante,
deixando um pedacinho de saudade salgada na ferida da raíz do pé .

wilson Roberto Nogueira

Los Angeles Freeway

sábado, outubro 31, 2009

"Mãos invisíveis que fiam toda a trama humana "
João Ubaldo Ribeiro.in O Albatroz Azul.

quarta-feira, outubro 21, 2009

Cada frase franze a testa do verbo em folhas.
que O vento sopra para longe num gemido; dor
no silêncio não mais sinto.Tateio o coração
com um espinho.Cura-se com o sangue.

Wilson Roberto Nogueira

terça-feira, outubro 13, 2009

Viagem pelo Fantástico, Surpresa na Estrada,1970

A sereia sorriu areia dourada
areia doce num canto suave
profundo
água fazendo deitar o corpo
no fundo da serena lápide
amor sem abandono.

Wilson Roberto Nogueira

segunda-feira, outubro 05, 2009

domingo, outubro 04, 2009

A lua chorava
enquanto ela chovia
suor da alma que amava
o sangue escorria
ela não via
era tão doce que a dor sarava .
no espelho dos olhos escorria
imagens à margem da empoeirada
caminhada dos dias.
afundava quanto mais amava
sem sufocar morria.
A lua chorava
de tanto rir.

Wilson Roberto Nogueira
- Querida, seus olhos precisam fazer regime
- Não estou olhando para ele.
- Para ela?
- Veja aquelas olheiras...!

(sobraram aquelas sombras saboreando seus mortos.)

Wilson Roberto Nogueira

sábado, outubro 03, 2009

o pardal passeia aos pulinhos entre a selva de pernas amarelas e o gelo azulejado do bar;Lá fora pasta o homem ,sua cota de lixo.

Wilson Roberto Nogueira
Rasparam o útero da idéia e com ele
o feto não nascido da conciência;
no lugar , o vazio da desrazão
semeou de esterilidade a vontade,
bêbada apagou na morte revisitada,
o cristal negro dos dias.
assim caminhava...
por sobre os cadáveres sem rosto
até o sol surgir
numa manchete:

Morreu a Odete !

Wilson Roberto Nogueira

domingo, setembro 20, 2009

Procurou na paz ,
a guerra
entre os lençóis;
sempre chegara atrazado;
só a morte vivia no relvado.
Wilson Roberto Nogueira
Catando papel encontrou poesia
olhou pro céu,
só alegria !
Wilson Roberto Nogueira

sábado, setembro 12, 2009

No Terminal.

Dois pardalitos brincam de pular-carniça no meio fio.

Um cachorro tenta entrar no ônibus e confuso volta para a matilha, ainda mais confusa.
O chefe esquece que é um cão !
Tão identificado que era com aquela família de humanos que acabou por jogá-lo porta fora.

Wilson Roberto Nogueira

quarta-feira, setembro 02, 2009

Traça no apelo do engano a rota
na reta marcha crê ser luz
e tolo tropeça na escuridão.
Entre tantas belas árvores porvir
sua falsa chama semeia incêndios
da sanguinea labareda restam cinzas
onde verdejava esperança
cinzas que nadam no azul para longe
levadas sem porto ou pouso
somem lembranças no pó
perdido na trama de uma teia
iluminada pelo sol.

Wilson Roberto Nogueira

sexta-feira, agosto 28, 2009

Guernica

O militarismo é útil
ás vísceras da terra tem fome.

Wilson Roberto Nogueira
Eu não sou boa ou má pessoa
ficarei feliz se for apresentado
a Mim antes de morrer.

Wilson Roberto Nogueira
Ela namora a sombra,
porque a conhece de alguns despetalamentos...
enquanto um vulto ou,
um homem- roupa- pindurado -no- cabide
atravessará o rio onde ela esqueceu de si
o que quase beijou...
a mulher que admira
ela própria.

Wilson Roberto Nogueira
Quem estará atrás da porta;
valerá a pena a espera?
O que a guarda em seu
cruzar de braços ?
O vento que a porta soprará
será o da poeira de sua
espectativa...
seja ela qual for.

Wilson Roberto Nogueira

terça-feira, agosto 25, 2009

Russalki-Sombreira

Voce é muito estranha Rivka, me projeta num pedestal onde não estou e quando vê ,que o que está no lugar onde deixastes é o vazio de mim; passa a cuspir na minha sombra , na imagem do gigante que imaginavas que eu era. Rivka, não tem ido falar com o rebe ?eu continuo sendo Eu ,o qual voce sempre se escudou conhecer, Chatzlika, se tiver mesmo que cuspir em alguem o faça na minha face e não nas suas fronteiras mentais.Até posso gostar do gosto da sua saliva !

Wilson Roberto Nogueira

Dança Grega