quarta-feira, junho 26, 2013

A uma guapa de olhos de condor e coração de montanha


não reparo a roupa e sim o corpo. 
se o corpo brilhar é porque tem alma.

em ritmo de um tango extraviado numa ruela sem lua.

a última consorte com olhos de noite eterna
bailar num fio suspenso entre o sonho e o pesadelo 
sem rede a resgatar um novo amanhã

seco e sem raízes  ,madeira podre sou
e imereço a chama do teu coração.

respirei as cinzas dessa cidade e fiquei com as cicatrizes dos seus becos.
uma noite para se sentir num único beijo o sabor de um coração desertor.

um coração que deserta do corpo e se perde num beijo, 
deixando vazio de vontade própria a alma do apaixonado,
escravo do sabor de uma perfídia.um tanguero desprovido
de bandoneon em rotas palavras de amor espalhado
entre uma e outra promessa nos contornos dos lábios de una argentina.
de prata e prata valia quedei-me sem elas. um farol de felicidade em letras tristes

fala meu Sol,amo a ti mais que as palavras a essa portenha que me levou as pratas
 e os ouros dos meus dias.

Wilson Roberto Nogueira



a catarata oculta-se na névoa
ribombando trovoadas de água.
Wilson Roberto Nogueira

a capivara solitária diante da lagoa que um dia foi parque.
chuvas julianas de Curitiba.
Wilson Roberto Nogueira

Casas de raízes trêmulas perdem-se no pântano
enquanto sorrisos choram promessas
que custam sal e suor do trabalho que prende
ao triturador de horizontes das carcaças sem rostos,
sem carne, sem sangue.
Wilson Roberto Nogueira

a solidão é sócia  sólida e leal, cúmplice dos crimes abissais contra a tentativa de se alçar voo os sonhos ideais.

Wilson Roberto Nogueira

A face, o corpo e a alma soterrada sob a pedra  do drama e da comédia nas entranhas da madrugada, sangram súplicas  ao revelar a alma do abismo  que habita em nós.
Wilson Roberto Nogueira

segunda-feira, junho 17, 2013



O homem é um animal a racionalizar o irracional.Predador de si,
consome o Ser por um Ideal que em metástase devora a mente
antes do vírus da consciência se instalar.Embriagado de ilusões, 
segue a poeira doirada das imagens das caixas de sonhos
no templo dos símbolos das glórias vãs e das verdades fáceis
a quem quiser comprá-las. As luzes se dissipam
e todos vêem na ausência das cores a soma de todas as possibilidades
abortadas, plantadas na alva e fria morgue .
Os rubros desejos da angustiada utopia envilecem em ideologias carcomidas
em pedras pontudas atiradas na vidraça opaca da democracia.Ideologia 
seu valor de face é a rota máscara da ilusão.
Quanto custa o sonho ? Liberdade voa nas palavras 
sem poder pousar na verdade.

Wilson Roberto Nogueira



Os rubros anseios da utopia
envileceram em ideologias 
que podem ser pagas
em dez prestações sem juros.

Se você ainda prestar
para o Trabalho libertador 
de sua Auschwitz particular.

Wilson Roberto Nogueira

Ao sabor do abismo.





Nós parimos nossos próprios fantasmas que passam a ser as sombras
de nossas angústias e frustrações a cobrir qualquer centelha de sonho
e esperança em nós mesmos.
O corpo de nossa vontade torna-se cadáver ansiado por abutres que pairam e pousam em nossa sorte.
Sombras que crocitam na noite dançando sobre nossos escombros

Wilson Roberto Nogueira

sábado, junho 01, 2013


"Eu escrevo porque vou morrer." (João Gilberto Noll)

aquela pessoa morria um pouco a cada grão de dia.
Quando a noite chegava  não esperava anoitecer,
anoitecia e sem cerimônia a noite encontrava  no despejo do dia seu lamento
e voava  livre na escuridão do desejo a angústia.
a noite não cedia um copo de luz naquela  casa sem janelas a aninhar nas vísceras a escuridão
Limpava o rosto pálido e enfim no desvalor a morte achando-se desprezada
garimpava no chumbo dos entardeceres a bala para se suicidar.

Wilson Roberto Nogueira

domingo, maio 26, 2013

O casaco da memória dá abrigo a restos manjares de ratos.
nos bolsos dos sonhos sobrou um níquel, nada além.
A manhã de sol enganador, só a umidade cortante da razão
cravando adagas de cicatrizes, sorrindo soda e ácido.
abre a porta na manhã fria e não existe uma foice sequer.
Resta resgatar dos escombros algum barro novo a espera
de um sol trôpego e desavisado que dê alguma consistência
ao barro que teima ser pedra quando é só pó.

Wilson Roberto Nogueira.

domingo, maio 19, 2013


o silêncio vai raspando a pele até cortar a veia do sentimento
o sangue verte irrigando o sofrimento
que germina novas luas
de plácidos rostos em lagoas puras.
Jogo o anzol e só espero o prateado brotar peixe
faminto não sinto dores nem o clamor da fome
não vejo a lua me olhando triste no fundo do lago
só o peixe essa moeda da minha angústia.
palavras são foices ou seda, lã ou adaga
em mim elas saem como desespero de peixes
numa lagoa a secar no olhar de prata da lua
O sorriso plácido do silêncio é uma adaga
um sorriso que corta sem saber
corta o ar da gota prateada que se fez peixe
e não sabe por que seu mundo está a secar.
talvez ele já não saiba mais amar.

Wilson Roberto Nogueira

terça-feira, abril 09, 2013

À Sombra do Carrinheiro


O carrinheiro carrega o fardo de seus sonhos desfeitos
feitos de papelão que queimam no dia a dia a ilusão
vivem pra ontem à correr pro hoje
a passos mortos no agora da ágora.

O carrinheiro com que ganha alimenta de sal a esperança
nas vísceras o sabor do café fraco e frio pro filho sua herança
nos seios secos de leite ainda verte da dor o amor
pedra que rasga o coração no arame do choro faminto da criança.

O carrinheiro com o vento leva as cicatrizes de suas pegadas
o sangue seco na secura de seus olhos fantasmas
só ilumina a luz de sua sombra companheira
do fiel cão que dá a vida sem exigir o seco  pão
corpo de Cristo na fé que transcende a razão
cão que come a carne que resta quando encontra
lhe basta a carne do vento na sombra do carrinheiro.

O carrinheiro carrega sua sombra fantasma na sombra da selva
da cidade parte pedaços parte em pó nas partes da cidade
paisagem qual pedra um Pedro ou Zé nas sombras
Ao dia que se amontoa e soterra a noite que ilumina na escuridão
as trevas nada a gota humana carregando a si e o que de si resta
è o que presta presto cavalo homem da urbe trituradora
vapor trabalho desconstruindo na força motriz a mercadoria
Segue animal alienado lutando por sua humanidade diante do aço e do vidro.

È só o pó que resta da mercadoria a força de trabalho de valor tão escasso
tão sem cifrões e zeros só o valor reciclável de uma vida

Segue a poesia nas pegadas do cão ao caminhar
Parte da paisagem sombra sangue que escorre das cicatrizes da cidade
Tiro de verdade na ilusão
soco no estomago da Feliz Cidade.

Wilson Roberto Nogueira

quinta-feira, abril 04, 2013


O cumprimento ficou no vácuo,
assim como as palavras.
O silêncio arremessado no abismo.
A arte que engole o artista
e cospe seus restos no vazio dos rostos ébrios.
Sombras que projetam gigantes
quando são apenas ratos.
Sou um rato que bebe do ralo
as belas palavras de belas putas.

Wilson Roberto Nogueira.

terça-feira, março 26, 2013

Instituição Religiosa



Instrumento de legitimação e domínio.rebanhos de todas as ordens são rebanhos na mão de pastores ."afastem-se da luz "pode existir um PolterGeist dos infernos atrás da Luz .Uns interpretam ausência de cores outros a soma de todas elas mas só vemos o branco dos dentes dos pastores , dos lobos e da lã das ovelhas .

Wilson Roberto Nogueira