A vida é curta , a arte é longa. A ocasião fugidia.
A esperança falaz. E o julgamento difícil .
Hipocrates, Aforismos,1.1
sexta-feira, setembro 11, 2015
quarta-feira, setembro 09, 2015
Obrando pela Pátria
A democracia devora a massa depois da carne estar amaciada
pelo moedor do capital;
processa em seu intestino toda a razão social do que produz
.Obras .
Wilson Roberto Nogueira
A anulação do individuo pelo coletivo, a submissão à vontade
da maioria conduzem o pensamento à ideia de uma certa ditadura da maioria a qual
, paradoxalmente é a fonte de água sípida que bebe a democracia. Um solvente
universal que dissolve os interesses daqueles que mais sedentos anseiam por bebe-la .Tal água está em um oásis de
frases feitas e jogos de espelhos onde a fonte se oculta ao sol das promessas, ainda
que a democracia seja dos eupátridas e
dos patrícios .Só essa nossa caminhada no deserto com a cabeça fervilhando de
utopias , como acreditar que o mais revolucionário é ver cumpridas leis em
beneficio dos esfarrapados proletários , não importa de que tripas as leis
foram feitas . Democracia representativa mandatada por nós . Máscaras e cera escondendo crimes dos ratos e
vermes daqueles outros lobos, raposas e toda a fauna que matam nos hospitais e nas calçadas das
cidades podres do país.Governo do povo em nosso nome não é exercida, mas nós no
delírio da democracia somos seus cúmplices. A democracia de fato não é esta que
fabricada pela alma corrompida e putrefacta da burguesia nos humilha e rouba ,
a Democracia vem das ruas , do Povo , do Proletariado.
Wilson Roberto Nogueira
domingo, setembro 06, 2015
Pichação e grafite
A pichação nos anos noventa do século xx representava a
demarcação de territórios, disputas delimitadas por assinaturas .
A pichação é para seus praticantes a verdadeira
representação simbólica da marginalidade, desafiando os muros da cidade- a
propriedade privada e os símbolos da ordem
constituída, os obstáculos do sistema .Acreditarão ser libertários anarquistas
ou só zoam a repressão ; provando o quanto superiores são sobre o ego adversário
.Agirão movidos pela adrenalina ao escalarem os mais altos prédios deixando o resíduo
, o subproduto de sua ação ?
Ao mesmo tempo individualista e autópica passaram a se organizar em grupos onde
reafirmam as individualidades , a competição . Não existem fronteiras éticas,
violam outras expressões de arte urbana ,outros símbolos estéticos e políticos ,não
respeitam o grafiti por ser uma arte reconhecida pelo mercado da arte e
legitimada pela classe média e alta.As obras dos grafiteiros mais elaboradas
passaram a ser alvo dos pichadores , embora a conscientização esteja atingindo
as sombras e fazendo delas luzes de cores e significado para além da mera urina
de tinta. A pichação passa a ser para
alguns as primeiras pedras de suas obras na busca de refletir um meio mais
sofisticado de expressão e cuja mensagem atinge a consciência urbana fixando
melhor na memória a cicatriz da revolta para
além da vontade o talento cultivado nas quebradas da vida.Um papo mais reto, na
moral.
Parece mesmo não haver por parte do pichador interesse em
denunciar concreta e esteticamente o sistema para conscientizar os excluídos para
o seu discurso; cujo interesse é reafirmar a negação pela negação a toda obra que pareça
elaborada ,pensada, sofisticada. Isso é contracultura ou a pulsão tanática de voluntarismos patológico incapazes
de articular um discurso estético se limitando a grunhidos na direção que
supostamente representam – os marginalizados-ou essas pessoas representam só os seus egos ?
A própria situação de classe dos integrantes colocam a
questão a descoberto. São atletas do ócio , com muito vento e sem bússola ,sem
nenhum mapa de estrelas a mostrar um norte .Vivendo a ansiedade do nada até
escalar o mais alto pico da futilidade para que um dia eles próprios se tornem
a assinatura de sua maior obra em alguma cicatriz sebosa da
cidade. Imaginando Viverem um presente continuo de tempestade e ímpeto incensam
a barbárie .
Por outro lado a arte de rua Grafite também sofria a repulsa
da sociedade, da classe média, era outsider, underground mas atualmente artistas como Os gêmeos , JR, Banksy já
pertencem as artes reconhecidas pelo mainstream , embora denunciem as mazelas
sociais ou deem ao cinza do concreto, ao branco do mármore rostos, paisagens
urbanas alternativas . Não, a pichação não está interessada nessa forma de
reconhecimento, ela é a pletora a marcar , a julgar a arte, os movimentos, as
instituições do alto de sua” marginalidade autêntica “ ou que simbolizam o
poder da exclusão e da segregação social.
Nunca os não pichadores entenderão se essa manifestação de
agressão e protesto anônimo e secreto mas perfeitamente legível para os grupos
de vândalos fabricantes de vazios estéticos . A pichação será certamente a contracultura do século XXI,
tatuagens no corpo repleto de cicatrizes da Babilônia do deus consumo.
Wilson Roberto Nogueira
Sob o lençol de jornais embriagados sonhos repousam na cama
de papelão.
Entre assassinatos, estupros , e corrupção dorme o súdito da
escravidão
Correntes pesadas como o ar que não consegue tragar
quando corre trôpego em seus sonhos de liberdade
ao morrer a cada céu sem estrelas como essa noite
noite que só não
corta com lâminas de gelo porque os papeis
das lágrimas das almas dos anjos sem paradeiros Tornaram-se
um cobertor pesado
a amarelada e suja
mercadoria .
Wilson Roberto Nogueira
Anoitece no metal mais uma história
Caia a manhã , ela não consegue levantar-se. Mais um dia ao
sol do olhar adormecido ;Só as cercas contemplam o sol dos sonhos da alma a aguardar ter asas a liberdade
de voar sobre o arame farpado da voz do Pai. Vida de penas sem pernas à vontade
exangue a arrastar-se no lodo dos percalços.
Wilson Roberto Nogueira
Semeiam sonhos as sombras indolentes
No papel amarelado trôpegos ácaros tentam contar uma
história de cicatrizes e sangue seco sob o lençol amassado da face.
Wilson Roberto Nogueira
domingo, agosto 16, 2015
quarta-feira, agosto 05, 2015
A gata preta passou por baixo da escada
Dessas que atrapalham os transeuntes
Perdeu uma vida ao sair
da calçada
Dessas de poças ocultas a benzer meias num chuá
A gata preta ao cruzar a rua habitat do aço e do álcool
Virou palito a palitar no além os dentes do Altissimo ?
Com mais almas a dispor a gata sombra voltou na noite de sexta-feira
Com sua malemolência de de gata ninja bahiana
Servindo de espelho quebrado nas idéias do além
No aquém cérebro em prantos do apoucado Barata.
Wilson Roberto nogueira
sentimentos estalam
nos ossos
dos cinzas dos ossos
um cinzeiro cheiro de
sentimentos
soprados para longe num suspiro
só sentimentos em pó de asas invisíveis.
Só ossos que sonharam na força da carne
Sentimentos sem palavras
Restam lavras de ossos sob o sol
Só o sal e o sal nos ossos
Animais provam de seu sabor
Ossos estalam sob o sol
Só a salobra poesia na areia
Acariciando o vazio dos olhos
Da caveira.
Wilson Roberto Nogueira
sexta-feira, julho 31, 2015
Senso Comum de um calouro esquerdopata
Uns roubam por não ter outra alternativa de sustento, párias esquecidos de uma cruel sociedade urbana e industrial que lançou inúmeras pessoas a deixarem o campo para a periferia das cidades, inchando-as com as favelas.
Os favelados ex boias frias sem perspectivas de trabalho, por não terem a especialização necessária ingressam nos subempregos ou na marginalidade.
Outros porém, provenientes da nata da sociedade nascidos ou alistados nela , agem de forma sofisticada , aliviando conforme o seu poder o capital do país através de especulações desonestas no "cassino de valores ", em contrabandos vultuosos comprando a consciência e a alma da lei.Fruto do paradoxo entre uma nação potencialmente farta e uma distribuição absurda de renda e oportunidades.Da mesma forma, com idêntico rigor e imparcialidade tanto o colarinho branco, o marajá, o traficante , o criminoso pé de chinelo devem ser punidos de acordo com suas faltas; devendo o Estado punir com rigor os desvios de verbas que arrancam dos mais desamparados os remédios, os hospitais, a comida porque é no anonimato de suas barganhas que se assassinam nossas crianças.
Prisões iguais ou metam a todos , independente da cor da pele ou do colarinho, em nossas masmorras a comer lavagem que até os porcos recusam comer ou melhorem as carceragens.
Só mudaremos o país quando os homens públicos que se comportam como prostitutas do grande capital passarem a frequentar os hospitais, escolas dos mais pobres entre seus eleitores . Quando a policia passar a tratar da mesma maneira o branco dos jardins quanto o negro do alemão.
Wilson Roberto Nogueira
1996
Os favelados ex boias frias sem perspectivas de trabalho, por não terem a especialização necessária ingressam nos subempregos ou na marginalidade.
Outros porém, provenientes da nata da sociedade nascidos ou alistados nela , agem de forma sofisticada , aliviando conforme o seu poder o capital do país através de especulações desonestas no "cassino de valores ", em contrabandos vultuosos comprando a consciência e a alma da lei.Fruto do paradoxo entre uma nação potencialmente farta e uma distribuição absurda de renda e oportunidades.Da mesma forma, com idêntico rigor e imparcialidade tanto o colarinho branco, o marajá, o traficante , o criminoso pé de chinelo devem ser punidos de acordo com suas faltas; devendo o Estado punir com rigor os desvios de verbas que arrancam dos mais desamparados os remédios, os hospitais, a comida porque é no anonimato de suas barganhas que se assassinam nossas crianças.
Prisões iguais ou metam a todos , independente da cor da pele ou do colarinho, em nossas masmorras a comer lavagem que até os porcos recusam comer ou melhorem as carceragens.
Só mudaremos o país quando os homens públicos que se comportam como prostitutas do grande capital passarem a frequentar os hospitais, escolas dos mais pobres entre seus eleitores . Quando a policia passar a tratar da mesma maneira o branco dos jardins quanto o negro do alemão.
Wilson Roberto Nogueira
1996
Párias famélicos do cimento e do vidro, sombras na fumaça .Arrastam as correntes das lembranças dos verdes anos da infância até caírem nas sarjetas a beber das poças, o lodo de seus pesadelos. A felicidade de outrora ,esmagando as costas curvadas pelo peso das noites sem estrelas no martelar de seu eterno vir a ser no limbo de cada despertar .
Um passo a mais e menos uma madrugada invernal.Outra história banal a ocupar poucas linhas no jornal , seu feito. Ser atropelado é mercadoria de informação se o desvivente tem endereço social.
O jornalista chegou a redação e sua matéria não pode sair .
Wilson Roberto Nogueira
Um passo a mais e menos uma madrugada invernal.Outra história banal a ocupar poucas linhas no jornal , seu feito. Ser atropelado é mercadoria de informação se o desvivente tem endereço social.
O jornalista chegou a redação e sua matéria não pode sair .
Wilson Roberto Nogueira
O velho russo entre uma cachimbada e um trago de chá afogado no açúcar."Com a bolsa ao pescoço ninguém é enforcado " imaginava uma floresta onde banqueiros, políticos corruptos , comerciantes desonestos pendiam de árvores, enforcados mas logo brotavam da terra fértil sob seus pés ,mais e mais mandrágoras que dançavam celebrando a alma imortal do vício e da devassidão e o céu se cobria de dourada aurora de escárnio.
Wilson Roberto Nogueira
Wilson Roberto Nogueira
urbanicida automobilizado para marcar o breu do asfalto com mais uma assinatura;
só mais um corpo estendido no anonimato de uma cicatriz urbana .Nada mais banal,
não vende mais, com o sangue ,o jornal . Lei da oferta e da procura.Abundancia de mercadoria desovada nas faces da cidade o mal.É só na face da violência que explode o silêncio de mais uma sombra que se liberta na fumaça de mais uma história da cidade da falcatrua.
Wilson Roberto Nogueira
só mais um corpo estendido no anonimato de uma cicatriz urbana .Nada mais banal,
não vende mais, com o sangue ,o jornal . Lei da oferta e da procura.Abundancia de mercadoria desovada nas faces da cidade o mal.É só na face da violência que explode o silêncio de mais uma sombra que se liberta na fumaça de mais uma história da cidade da falcatrua.
Wilson Roberto Nogueira
o espectro
Segue a peça movendo a complexa máquina produzindo a mais
valia
Sugando dia a dia até roubar do céu as estrelas sufocadas
pela fumaça
Da ideologia do contentamento escravo do trabalho libertador
Segue a fome , o frio do prato do horizonte vazio
Saltando poças e dormindo ao relento na morada nua da
miséria
Segue a peça produzindo a pança dos suínos dourados
mercadolatras
Refastelando-se na ostentação sob as bênçãos da mais nova
mercadoria
A religião e o fetiche da fé na ostentação do ego da
propriedade.
Segue sobressalente o lastro da vida na angústia de um tempo
que foge
As gerações seguem solitárias na multidão anônima até que os
ossos estalem o aço de seus grilhões.
Na floresta calcificada da miséria sê veem refletidos e param com suas sombras
Encobrindo toda a máquina e esta impotente sucumbe e as
estrelas passam a respirar
A Revolução.
Wilson Roberto Nogueira
1989
sábado, julho 25, 2015
Um dia no ponto final de um burocrata.
Ofendidos, tratados , não como homens mas como escravos a suportar a sorte amarga do silêncio da voragem da miséria espezinhada sua dignidade pela sanha da injustiça do despotismo de uma classe dirigente incompetente e insensível as profundas angústias de seu povo.
A implosão das vísceras da massa imensa de humilhados e ofendidos desacorrentados pelo assassinato de suas esperanças reagem como bestas feras contra o chicote dos tiranos . O sangue do opressor mistura-se a terra sedenta daquela nação de escravos que vagam cegos pela luz da liberdade para fora da caverna da tirania.tropeçam nas pedras mas persistem .
Fora da caverna da exploração o paraíso da igualdade onde pelo trabalho de homens e mulheres livres a colheita da prosperidade no útero da Utopia a esperança de nascer carne e sangue uma nova humanidade.
Séculos de látego abrindo como heranças canais de sofrimento agora alforrias onde a liberdade , a igualdade e a fraternidade celebram nas fábricas e nos campos o hino solar da nova Humanidade.
Templos ao trabalho foram erguidos e generosas colheitas cevaram a fome de novos sonhos até ceifarem os sonhos para plantar cadáveres parindo de discursos a terra .Os discursos ocos espalham baratas ,só burocratas e seus números de canetas cegas cortando meias verdades produzindo meias vidas e novas correntes de aço e propaganda.
Discurso de um burocrata que procurava se suicidar com vodka seus sonhos armados de pesadelos.
Wilson Roberto Nogueira
A implosão das vísceras da massa imensa de humilhados e ofendidos desacorrentados pelo assassinato de suas esperanças reagem como bestas feras contra o chicote dos tiranos . O sangue do opressor mistura-se a terra sedenta daquela nação de escravos que vagam cegos pela luz da liberdade para fora da caverna da tirania.tropeçam nas pedras mas persistem .
Fora da caverna da exploração o paraíso da igualdade onde pelo trabalho de homens e mulheres livres a colheita da prosperidade no útero da Utopia a esperança de nascer carne e sangue uma nova humanidade.
Séculos de látego abrindo como heranças canais de sofrimento agora alforrias onde a liberdade , a igualdade e a fraternidade celebram nas fábricas e nos campos o hino solar da nova Humanidade.
Templos ao trabalho foram erguidos e generosas colheitas cevaram a fome de novos sonhos até ceifarem os sonhos para plantar cadáveres parindo de discursos a terra .Os discursos ocos espalham baratas ,só burocratas e seus números de canetas cegas cortando meias verdades produzindo meias vidas e novas correntes de aço e propaganda.
Discurso de um burocrata que procurava se suicidar com vodka seus sonhos armados de pesadelos.
Wilson Roberto Nogueira
terça-feira, julho 21, 2015
Na Repartição
Na repartição o esporte apreciado era a ironia venenosa; a cooptação de almas pela compra não fiduciária de projetos de ocasião.A adesão á mesquinharia fazendo do cotidiano uma escalada estéril de micro-poderes ilusórios . Esgrimas de necrófagos sob a névoa .. Dentro de cavernas em tribulações compulsórias arrastam-se escravos de pesadas correntes a mirar espadas sob suas cabeças comprimidas .
Wilson Roberto Nogueira
Wilson Roberto Nogueira
Um grande exorcista dos meus demônios é uma folha de papel. Entrei na morada com móveis velhos revirados.A disputa pela mobília uma vida de conflitos.Velhos baús de uma vida de retalhos à desnudar se na nevasca.ela usou os retalhos de sua alma para a(s)cender a sua alma uma fogueira que a pudesse aquecer do seu útero um feto que exalasse as ruínas de seus pesadelos .
Wilson Roberto Nogueira
Wilson Roberto Nogueira
Um grande exorcista dos meus demônios é uma alva folha de papel.
A porta onde entrei na casa de móveis virados carcomidos miravam conflitos .
Velhos baús onde sepultos velhos retalhos sonhavam sonhos de sangue
Sob a mesa o leito de insepultos desejos alimentando correntes de angústias
Vidas nuas nadando sem asas nas nuvens sem acarinhar formas só sombras
Nuvens em nevascas logo fechando portas aos passos que não brotavam mais
ruínas de incêndios contando nas labaredas do silêncio a lágrima da alma..
Wilson Roberto Nogueira
A porta onde entrei na casa de móveis virados carcomidos miravam conflitos .
Velhos baús onde sepultos velhos retalhos sonhavam sonhos de sangue
Sob a mesa o leito de insepultos desejos alimentando correntes de angústias
Vidas nuas nadando sem asas nas nuvens sem acarinhar formas só sombras
Nuvens em nevascas logo fechando portas aos passos que não brotavam mais
ruínas de incêndios contando nas labaredas do silêncio a lágrima da alma..
Wilson Roberto Nogueira
domingo, junho 21, 2015
Considerações politicas sobre a questão japonesa
o governo nacionalista de Shinzo Abe apoia o retorno do
Japão ao cenário internacional como potencia militar e conta com o apoio
estadunidense para isso. Existem zonas de litigio com a China .Suas forças
armadas são das mais modernas da Ásia. Mudança na Constituição para permitir o
retorno de politicas de protagonismo militar estão em curso. O empresariado e
setores politicos aprovam embora não conte com o apoio popular. Nem dos
vizinhos que vislumbram sombras sangrentas do passado.
Wilson Roberto Nogueira
“Assumi a pecha de esquerda
caviar porque não me incomodo com essa adjetivação. Sou sim classe media alta,
sou sim socialista de coração. Se você acha que por morar em Alphaville não
posso apoiar o movimento de luta por moradia está no lugar errado. Esteja
avisado.”
Engels também era "esquerda caviar ". Stálin o
teria enviado para um campo de reeducação vulgo Gulag...A sorte de um era ua
não contemporaneidade.
o "s" tornou-se dissidente e está no México com outro proletário artista que também era assim,
um subvertedor do caviar dos Rockfeller ...Diego Rivera.
A encomenda de um
Mural por parte do mecenas Rockfeller para o trotskista deu no que deu. Não.
era artista preferia alguma ova de um peixe proletário, era livre e se pensava
revolucionário. Era .O mais fino caviar como qualquer pescador do Negro ou do
Cáspio provaram como quem passa banha de porco no pão.
Wilson Roberto Nogueira
Imigração na capital das Araucárias
Está claro para nós não racistas ou racializadores que os negros (descendentes
de negros que foram trazidos da África escravizados, da diáspora africana
caribenha-também pelo genocídio e coisificação do outro como fonte de produção
de mais valia -escravidão como também o foram os haitianos- que se sublevaram e expulsaram o
opressor e serviu de farol de esperança dos negros e abolicionistas de toda a
América, refugiados africanos frutos do desmantelamento de seus países pela
rapina derivada do imperialismo e dos interesses capitalistas transnacionais
aliados a elites corruptas, árabes (Libaneses, sírios, palestinos ),judeus
(vindos da Europa ou Oriente Médio),asiáticos (japoneses , chineses e coreanos
)Os japoneses que vieram para aqui e que foram perseguidos durante o período da
segunda guerra pelo governo ou por organizações que se recusavam a aceitar a
derrota do Japão estão suficientemente bem apresentados e não precisam de
órgãos públicos para mostrar sua importância para a formação do nosso povo e
para a economia de nosso estado. A imigração chinesa é relativamente recente e
está se organizando e melhor se estruturando. Os árabes possuem jornais,
centros beneficentes, estão bem inseridos no dia a dia da nossa cidade , já
foram matéria de nosso jornal de maior circulação estadual. Acredito que a
comunidade afro descendente também tem o seu espaço embora concorde que ainda
não o tem em sua dimensão contributiva .
Os índios também merecem o mesmo espaço. matérias nos
jornais não são suficientes para dar visibilidade .
Podemos pensar sobre projetos que deem visibilidade a
situação dos imigrantes africanos e haitianos no Paraná por que não. Projetos
que não fiquem restritos a militância e sim a toda a comunidade .
Leve suas criticas e encaminhe projetos pros órgãos
públicos. Mas não recuse aos descendentes de polacos, russos, judeus,
nordestinos (caboclos ou negros ) o direito de se expressarem e terem orgulho
de suas origens. Somos brasileiros fruto da união de diversas etnias. è aí que
está nossa singularidade e nossa riqueza. Não na segregação ou na politica do
desenvolvimento igual mas separados. (importar idéias racistas dos EUA ) estou
fora.
Apoio as cotas com forma de resgate histórico por que sei
que existe critérios sérios que não são bem divulgados para as massas daí , da
ignorância sobressaí preconceitos.
No norte e centro oeste onde a população indígena e cabocla
é maior , a cota para indígenas ; no Nordeste, sudeste e sul de Negros.
Aqui em Curitiba além dos alunos convenio vindos da África
lusófona , dos haitianos (que possuem uma estação de rádio em Cascavel em
creolle, francês).Temos em Curitiba um clube que mantem a história da
contribuição negra .Centros de militância do movimento negro e nas escolas
públicas de ensino médio o dia da Consciência negra(ainda falta muito ).Os
haitianos geralmente são respeitados( está claro para muitos curitibanos que
conheço, que são imigrantes honrados e trabalhadores como nossos ancestrais .
Atitudes racistas violentas como a que se assiste em vídeos em São Paulo aqui
não são frequentes) não que não haja caso de racismo e abusos de patrões. A
comunidade árabe , sua cultura é parte do curitibano , muitos casamentos mistos
de árabes cristãos com outras etnias portugueses ,poloneses... assim como
jornais da comunidade árabe podem ser adquiridos por não árabes . Existe em
Curitiba uma sociedade beneficente muçulmana ao lado da mesquita bem próxima da
Sinagoga.
Aqueles os quais mais discriminamos aqui são os ciganos , ( com
preconceitos que foram introjetados e naturalizados desde o berço de nossos
avós ) e os índios não sofrem preconceitos por que não são se quer vistos
.Fazem parte da mobília urbana nas feiras de artesanato .A invisibilidade é
mais dolorosa para eles . Uma forma mais perversa é ignorar a presença isso
acontece com muitos em situação de morar nas ruas.(preconceito de classe de uma
burguesia aristocratizada não ilustrada e de pessoas acorrentadas a sus
necessidades imediatas de sobrevivência que naturalizam o padecimento do outro
como algo natural da vida urbana como o centro histórico que deve abrir espaço
aos grandes templos do consumo e as vias privativas dos condomínios
enclausurados na riqueza.
quarta-feira, junho 17, 2015
Muros II
Países abandonados canibalizam suas populações expurgando
cada fibra humana, empilhando em pesadelo seus restos transformados em
diamantes, urânio, ouro, petróleo, mais além de seus rins, fígados pulmões e
sangue, o sangue verde de sua pujante riqueza tropical, da biblioteca contida
em suas raízes culturais, na tradição de seus autóctones patenteados, que
jamais terão suas moléstias curadas em prol da saúde e a prosperidade das
fortalezas setentrionais.
Aos pés dos muros, fugitivos da angústia, expropriados de
seus órgãos, de suas famílias famélicas se arremessam à luz esfumaçada da
França, Espanha, Itália e são devidamente expelidos após serem usados. Caem aos
montes, às moscas da carniça de seus sonhos, a desilusão, o sonho de fazer a
América, que quer braços e não bocas sobram presídios cinco estrelas para
aqueles que não terão vaga nesse arame farpado estendido no alto dos
arranha-céus onde as feras do desemprego fazem suas vítimas.
Muros onde cada tijolo é um autoengano da boa sociedade
burguesa, hipócrita, purgando suas consciências, dando esmolas, atuando no
teatro paternalista de medidas paliativas, de politiqueiros de plantão, na
cordialidade estudada de preconceitos velados, manifestos no vidro de seu
caviar, se espraiando dos incluídos nas calçadas, ignorando o direito de ir e
vir da massa amorfa e pútrida das não pessoas.
A elite nos países desmoronando tal o peso de seus muros
sociais, econômicos, psíquicos.
Os construtores das barragens para conter a barbárie não se
veem bárbaros, sua autofagia virótica, porque anular no outro o resultado do
flagelo que provocam, escondem no sótão o quadro purulento de seus excessos, o
poder produzido através do acúmulo pela expropriação, pela concentração das
riquezas a partir da contração de oportunidades, sem olhos para ver a luta
ciclópica, caminham para o suicídio, atentam contra o seu próprio status e
privilégios no arrancar da esperança da massa, tão estupefata em suas delícias,
tão delirantes em suas obras, não veem se aproximar à queda de suas fortalezas,
de seus muros e o fim da transfusão de sangue fétido que alimenta sua relação
com o Estado. Afora seu protetor, o Estado, não podem se proteger da vingança
das não-pessoas, das crianças de olhares sem luz.
Muros I
Todos os dias saltam do alto das muralhas do medo, restos de
desespero, fantasmas sem grilhões. Feridas rasgadas, sulcando de quente sangue
a pele negra, herança do sofrimento no arame farpado da opressão. Os cães do
ódio ladram e seus dentes cravam na carne suja e apodrecida da escravidão.
A afluente aristocracia – dos eupátridas pós-modernos do
alto de seus palacetes – quer perpetuar seu fausto enfastiado, com máquinas que
não comam, não bebam e não se reproduzam, precisam de criados invisíveis que
não ofendam com sua presença.
Os muros são fronteiras que protegem vós mesmos nos outros,
a vossa humanidade, a obrigação de enxergar o contraste no espelho da exclusão.
Denuncia da consequência da ânsia de acumular necessidades supérfluas, carência
de necessidades reais da multidão zumbi, do lumpen.
Os muros correspondem ao medo de se verem despojados de suas
histórias, construídas dos espólios da guerra fratricida entre a cria mais
forte e a mais fraca da loba do sistema.
O abismo se agiganta, as trevas abatem as crias esquálidas
do proletariado no esgoto da exclusão, embrutecendo suas vontades na voracidade
da vingança, cristalizada no crime, incendiada nos entorpecentes, perdidas na
sarjeta.
Os muros são construídos por todos que os exteriorizam na
força repressiva do representante autoeleito , o Estado, forte diante dos
fracos e fraco diante dos fortes.
É quando o subúrbio se levanta e o morro escorre para a
calçada. O subúrbio clama por empregos e o morro por esperança na forma de pão
e dignidade.
Cada tijolo ensanguentado, por quem é colocado?
Só o dólar e o pó atravessam os muros, se globalizam. As
pessoas estão confinadas em seus pesadelos de consumo, chafurdando no lodo que
transformaram as pátrias violentadas.
Caminham, não, se arrastam nas sombras, atravessam desertos
guiados por coiotes, são espremidas em contêineres, vagam em barcos,
escorraçados em sua esperança, lastros de fantasia, patologia. O não-lugar para
as não-pessoas.
A estátua abre os braços, generosa aos miseráveis do mundo
inteiro, generosidade de pedra, cláusula que esqueceram de gravar em seu
pedestal de bondade:
"desde que tenham dinheiro ou voltem para suas cloacas
do terceiro mundo após o expediente, pobreza terrorista que carregam em seus
corpos...".
Muros represam o mar pútrido da pobreza, da violência, que
agride e alimenta o revide. O muro que engole o berço.
A globalização dos muros erigidos, verdadeiras homenagens ao
Apartheid. Os muros ideológicos derrubados a marretadas em Berlim não
permitiram aos embriagados ver o quão inebriados de ideologia estavam. Outros
muros foram levantados: na Coréia do Norte, em Israel ou na fronteira dos
E.U.A. com o México; outros muros construídos com o imperativo de ocultar a
agressiva presença do outro, o estrangeiro, que quer um lugar à mesa, um lugar
ao sol.
Serviçais sentados à mesa dos patrões com seus modos de
sarjeta, com odores fétidos e roupas sujas, restos devorados por suas próprias
mães.
Wilson Roberto Nogueira 120406
Marés Curitibanas
Endomingado no pântano das saudades daquele sol senegalesco,
desfolhando, empilhando essências de volúpias e arrebatamentos. Nada como o
verão para tomar o vinho das ânforas, fêmeas mais suculentas e lânguidos seus
movimentos, convidativos seus olhares. Sol queimando corpos e refrescando de
suor, revelando contornos velados em seda sorridente de transparências,
vontades.
Janela suada imagem de sonho, abre o oceano, ela corre e
pára, olha com olhos de oceano. Está como sempre esteve, Eva no Paraíso,
vestida de suor e sorriso. Atravessa a cidade a pé, a pé nos caminhos pluviais,
rios-artérias-urbanas, afogadas, afogadas de prazer sereia, de uma sereia
curitibana.
Tu és a benção e o perdão deste clima niñes de monção
atrapalhado, fala o bengali brasileiro que ama a água, como ama o amor que o
pensamento leva, olhando aquela lótus que conduz ao Kama Sutra. Vapores
enevoados de sonho despertado no coaxar de um sapo infeliz, perdido no charco
ao desmaiar da noite preguiçosa, que não quer chegar.
E há quem prefira os becos escuros, dos excrementos da
cidade, seu pus e náusea, suas secreções e odores de cloaca e morgue macróbia,
onde a brisa faz a curva para não parar diante de um muro de farrapos e arames,
hera e pesadelo.
A Curitiba do caminhante não é um esgoto a céu aberto, onde
famílias-gabirus se apinham em cavernas de papelão, onde a vida vale a viagem
de uma pedra.
Sonha os marés e arrecifes da bela cachopa molhada. Não a
cotidiana realidade que sangra todos os dias de lamento a mãe que perdera o
filho em um incêndio, porque tinha que trabalhar para alimentá-lo e não tinha
com quem deixá-lo, deixou nas mãos de Deus que preferiu jogar dados na areia
humana.
Que futilidade deitar emoções – vivas pequenas histórias a
cada sutil movimento, se o Tsunami arrasta da terra bibliotecas vivas contidas
nas cores, vozes, cheiros e temperos de povos inteiros retornando do inferno
marinho só cinzas e cascas, cinzas junto aos restos dos condenados a
sobreviverem aos seus entes queridos.
Um camaleão agarra com a língua uma libélula.
A cidade continua sendo construída e desconstruída no
caleidoscópio da memória de um sonho, no trôpego caminhar de alguém que pensa
estar acordado, caindo e caindo como em todas as manhãs, mergulhando no abismo.
Qual a finalidade da vida, além da dor, da mãe urrando sob o
cadáver do filho ou é a completa ausência de si, como aquela que defeca a prole
na privada. Um lapso, uma fronteira de papel separando instinto de razão,
natural e social, a dor de uma só é mais profunda, mais próxima do que açúcares
diluídos na água, estatísticas, meros números, alguém vê atrás dos números,
rostos, sentimentos, histórias?
Continua em Curitiba, caminhando, o sapato já se dissolveu
em mais uma lagoa entre a calçada e a rua-rio, em uma cidade que foi projetada
para a civilização do automóvel, mesmo havendo eficiente rede de transporte
urbano, lá está a horda de carros com uma única pessoa, afinal o carro
representa status e poder sobre os sem-automóveis, poder de matá-los como
moscas ou a eles próprios nos rachas. A propósito dependendo da carruagem
pode-se pescar cada peixe-gata!
E mais um banho de graça no passar do rodante.
O catador de papel, homem-cavalo, puxa o carrinho, dentro
uma criança no meio do lixo reciclável, ela segura uns vira-latas, nada mais
Chapliniano, nada mais ilustrativo.
A chuva para, e pensa. A calmaria sem força, desfalecida
dorme e uma parcela de si morre um pouco, sexo rápido da natureza com a cidade.
Tsunami foi o sexo de uma ninfomaníaca com um estuprador, o homem estuprou a
natureza e a natureza o matou de tanto fazer amor. A água é nosso berço primal,
o líquido amniótico é o nosso quente mar onde os humores do afeto nos chegarem
vibrações acariciantes ou em ondas revoltas dependendo da mãe terra onde
estamos germinando. Assim é entre a Lua e os mares, do oceano e de nossas
formosas fêmeas.
Chega que estou ficando diabético.
Para comer uma portuguesa lá na esquina o caminhante pára, e
o pizzaiolo sem precisar que o freguês solicite, já sabe e diz: “- É pra já
doutor em dez minutos a pizza portuguesa com borda recheada de catupiry estará
pronta”. Ouve, porque ouvir não pede licença, a voz das ruas, uma esganiçada,
outra, que exigiu toneladas de nicotina para produzir aquela voz cancerosa que
causa arrepios nas cordas da harpa sensível de Grisette.
Nada como uma catástrofe colossal para que se extraia do ser
humano o que ele tem de melhor, e de pior, praticamente toda a grande potência
se mobilizaram para levantar recursos aos países afetados pelo “Tsunamis”, os
artistas, o Schumacher endinheirado, os povos do planeta estão fazendo doações
até o Timor, que é um país pobre doou o que não tinha, proporcionalmente doou
mais do que os sovinas EUA do Bush, que prefere gastar para destruir, matar e
saquear, deixe quieto, os americanos verão cortes na previdência, ensino
público mas continuaram votando na quadrilha dele, porque quem elege nos EUA é
o capital, que comanda a economia dos estados mais poderosos, com mais votos no
colégio eleitoral deles, nos pequenos estados ele também tem voto, lá também
tem os grotões como aqui, com mentalidade pré era da razão. Os Estados Unidos
percebeu que perderia a corrida para japoneses, alemães e britânicos o quanto
não lucrariam reconstruindo os resorts, abrindo financiamentos e de quebra
puxando o tapete da influência chinesa, cada vez mais percebida como
superpotência emergente, mas vieram os caipiras canadenses e atravessaram o
samba com uma idéia estapafúrdia, de perdão da divida dos países como Sri-Lanka,
Índia, Indonésia, Tailândia, Maldivas, Seychelles. De vagar com o andor, os
banqueiros achariam esbanjamento de bondade, uma moratória de cinco anos, e
claro haverá compensações para os tubarões e não só aos cevados tubarões do
Índico, àqueles de Nova Iorque, Londres, Zurich.
Banqueiros não fazem caridade e o Tio Sam se apressou em
declarar que não haverá um Plano Marshall para a região (nem um Plano Colombo
como houve para o Japão). O Brasil mostrou presença e a ponte aérea da FAB
levou o coração do nosso povo fraterno para minorar os sofrimentos dos
flagelados, nossos irmãos asiáticos, doando remédios, alimentos não perecíveis,
água potável, roupas e é claro de contrabando algumas urnas para os votos dos
sul-asiáticos para as pretensões do Brasil ao assento no Conselho de Segurança
da Onu, o que supostamente nos conferiria um status de potencia com direito de
vos e vez através do veto. Pena que não tínhamos aviões suficientes para levar
os mantimentos, isso requeriria algo além do discurso, para sermos uma potência
precisamos nos impor também com o que temos para não pagarmos mico. Tomara que
sobre uma oportunidade de negócios para a Petrobrás, Odebrecht, Gerdau.
O vizinho da mesa não só tem de podre o hálito, cuja fumaça
chega ate aqui, invisível e nauseante, mas o quanto de falso há no que disse?
Finalmente a gostosa chega e dá-lhe Gallo. E a noite chega
com um choro soluçado de uma garotinha de olhos verdes afogados em lágrimas,
com a mão suplicando uma moeda, o desconhecido deu um pedaço de pizza para ela
e embrulhou outro em um guardanapo para que ela o levasse para casa, ela coçou
o nariz deu um sorriso e foi embora, apareceu um guri e ela deu o outro pedaço
para ele.
Pensou. Chaplin outra vez, a cidade tem sua canção, sua
poesia basta ter olhos para ver, pena que haja tanto tempo escasso em pressas
viciantes de escravos voluntários. Pressa que consome uma vida objetivada em
coisa, em máquina o homem, peça de uma engrenagem sem finalidade, estéril
semeadura de clônica mediocridade cotidiana.
Falou o filósofo. Do que uma vodka não é capaz. O álcool
abre a porteira para a boiada do imaginado, do irrefreado adquirir substância
no real sem fronteiras dos atos valentes na verborragia cachoeira de grunhidos
gritados como orquestra de um homem só, desafinado e desafiador desalinho e
abandono de si como aquela garrafa voando ou aquele que dorme em meio aos
produtos de seus intestinos extrovertidos a cantar. Enfrentar sóbria a vida
requer fibra e coragem o que não é fácil. A vida ela própria age como uma mãe bêbada
ou um pai, progenitor que violenta a filha como se quisesse fazer-lhe um
carinho mas a marca para o resto da vida.
O caminhante com seus
passos tropeças em suas próprias pegadas, se perde e perde-se nas sendas, nas clareiras enganosas da
floresta que pensou transpor, segue intuindo o caminho na confiança cega de um
rio, que mais uns metros dentro da escuridão seca, secando a esperança de sair
dali. Dorme na madrugada eterna nem um pio de coruja ou uivar de lobos, nada
além do silêncio. Está morto, a morte é o vazio onde ele permanece na
escuridão. Será o inferno ou ele estará no sonho de alguém, estará ele
sonhando?
Caindo, caindo a queda sem fim, escuridão, onde estará, um
eco seco na garganta, angustias, uma súplica ao sorriso da sorte, de encontrar
enfim o fundo, o fim, que seja agora, mas apenas a vertigem eterna dos
condenados, pesadelo, qual é a saída, e, sair do que, do vazio.
- Você já acordou com a sensação de se estar caindo? Fugindo
do inferno de existir, voando por cima de si olhando a carcaça apodrecer.
Wilson Roberto Nogueira
sexta-feira, junho 05, 2015
Evangélicos urinam e depois queimam imagem de Nossa Senhora
na região de cajazeiras.
Portal do Amazonas.( 05/06/2015)
Intolerância religiosa fundamentalista onde não há espaço
para a compreensão do outro. estão mais preocupados em edificar nada
edificantes muros do que pontes. Não são cristãos na acepção primeira da
palavra . não interessa para os mercadores da religião algo que extrapole as
vísceras do egoísmo , da soberba, da usura, da mesquinhes, da ganância e da
ambição desmedida pelo poder a posar de falsos profetas os lobos disfarçados da
pastores conduzem seu rebanho para que no caminho percam suas almas cristãs e
adiram ao discurso do ódio e da cupidez.
Dentro do próprio seio da família cristã Cristo não chegou
só molhou a superfície de almas fósseis. è mais fácil manipular as massas
ignaras através de um sentimento aglutinador como o ódio onde alimentado por
multifacetadas insatisfações só precisam de um alvo e de uma palavra de um bom
orador. Isso aconteceu na Alemanha dos anos 30 e 40, nas guerras religiosas e
desejamos todos que com fé isso , o uso desse sentimento réptil tão ancestral,
primitivo e traço de nossa humanidade( que o diga Primo Levi e Elias Canetti)se naturalize na expressão cotidiana de nossa (in)civilização.
Wilson Roberto Nogueira
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