sábado, novembro 28, 2009

fantasmas marcam presença no vácuo da Sala solta

Fantasmas
miasmas que miam nóias
marcam presença
no vácuo da Sala solta
da Biblioteca .
Dançam cabeças
sóis e sombras
nas letras da Big Band
Gers....in
Enquanto o pranto se alegra
atrás da poeira sorrateira
dos quadros
sonhos de senhas ocultas
tartamudas nuas sanhas
assanham tédios
guardas em greve.
entrevados papéis sem leitores
sem pernas e sem asas
livros jogados na estante cinza
das desidéias.
O fantasma espetado espera...

Wilson Roberto Nogueira

sexta-feira, novembro 27, 2009

bêbada , só tropeçou em si quando
não pode mais ver-se no verso da sua lousa
rachada de desengano trincou palavras e saiu
Nadando no vapor de neons negros engoliu a noite
Um auto a pescou e arrancou-lhe o coração do dia.
amanheceres não mais.Quem se importa.
Wilson Roberto Nogueira
desembrulhar-me de mim
permaneço estático ante o que me embrulha
parede de pele rugosa escorrendo rubra revolta
silêncio sonho convulsões sózinho
desembrulho fardo dormente vontade
desembrulhar-me quem dera vale nenhum vintem
vales estreito de escuridão incerta
torcendo sombras a escorrer ácido.

Wilson Roberto Nogueira

quinta-feira, novembro 26, 2009

No café Toscana a garçonete
-Quer "quetchupe" ?
-É claro que eu quero!
Ficou no querer.Muita gente ?
Wilson Roberto Nogueira

quarta-feira, novembro 25, 2009

No café toscana só um encantamento
momento que se perde no tempo
o calor de um toque passeando
na pele sedenta contornos de infinito.
A tatuagem de um sonho no corpo perfeito
daquela mulher.
O mixto- quente esfriou e o suco de açaí ferveu.
Wilson Roberto Nogueira

terça-feira, novembro 17, 2009

A INFÂNCIA DE IVAN

O sol cintila dor
além do prazer,
é sexo solitário sem pecado.
Wilson Roberto Nogueira

sábado, novembro 14, 2009

sexta-feira, novembro 13, 2009

A sua alma escondeu-se
nas costas da sua palma
para não levar palmadas.
Transparência ou translucides?
água que não se vê
não é pureza que se beba.
Onde ela está?
Wilson Roberto Nogueira
olhares obliquos
reticências no pensar
caminho na ponte incerta do teu sorriso.
Wilson Roberto Nogueira

quarta-feira, novembro 11, 2009

A dor doia tanto
O que ele tinha haver com ela?
Ela doia tanto que doirava a noite e domava os dias,
tão presos de sangrar que não disparavam tropéis alucinados
rumo as covas dos entardeceres.
A dor bebia a vida,
gole a gole se deliciava.
Quando da última gota bebeu a dor,sofreu.
E respirei livre por um momento.

Wilson Roberto Nogueira

quarta-feira, novembro 04, 2009

A menina estende a mãozinha;
como é breve o brilho da moeda.
Wilson Roberto Nogueira

terça-feira, novembro 03, 2009

Claude Levi-Strauss

domingo, novembro 01, 2009

‘No hay un solo camino sobre la mar
sin su contrario,
no hay maneras de estar y no estar donde se viaja’.

‘Partida’ , in Terredad .

Octávio Paz

Picolé de chulé

Aquela calçada, banguela, chupou a meia pelo buraco da sola do passante,
deixando um pedacinho de saudade salgada na ferida da raíz do pé .

wilson Roberto Nogueira

Los Angeles Freeway

sábado, outubro 31, 2009

"Mãos invisíveis que fiam toda a trama humana "
João Ubaldo Ribeiro.in O Albatroz Azul.

quarta-feira, outubro 21, 2009

Cada frase franze a testa do verbo em folhas.
que O vento sopra para longe num gemido; dor
no silêncio não mais sinto.Tateio o coração
com um espinho.Cura-se com o sangue.

Wilson Roberto Nogueira

terça-feira, outubro 13, 2009

Viagem pelo Fantástico, Surpresa na Estrada,1970

A sereia sorriu areia dourada
areia doce num canto suave
profundo
água fazendo deitar o corpo
no fundo da serena lápide
amor sem abandono.

Wilson Roberto Nogueira

segunda-feira, outubro 05, 2009

domingo, outubro 04, 2009

A lua chorava
enquanto ela chovia
suor da alma que amava
o sangue escorria
ela não via
era tão doce que a dor sarava .
no espelho dos olhos escorria
imagens à margem da empoeirada
caminhada dos dias.
afundava quanto mais amava
sem sufocar morria.
A lua chorava
de tanto rir.

Wilson Roberto Nogueira
- Querida, seus olhos precisam fazer regime
- Não estou olhando para ele.
- Para ela?
- Veja aquelas olheiras...!

(sobraram aquelas sombras saboreando seus mortos.)

Wilson Roberto Nogueira

sábado, outubro 03, 2009

o pardal passeia aos pulinhos entre a selva de pernas amarelas e o gelo azulejado do bar;Lá fora pasta o homem ,sua cota de lixo.

Wilson Roberto Nogueira
Rasparam o útero da idéia e com ele
o feto não nascido da conciência;
no lugar , o vazio da desrazão
semeou de esterilidade a vontade,
bêbada apagou na morte revisitada,
o cristal negro dos dias.
assim caminhava...
por sobre os cadáveres sem rosto
até o sol surgir
numa manchete:

Morreu a Odete !

Wilson Roberto Nogueira

domingo, setembro 20, 2009

Procurou na paz ,
a guerra
entre os lençóis;
sempre chegara atrazado;
só a morte vivia no relvado.
Wilson Roberto Nogueira
Catando papel encontrou poesia
olhou pro céu,
só alegria !
Wilson Roberto Nogueira

sábado, setembro 12, 2009

No Terminal.

Dois pardalitos brincam de pular-carniça no meio fio.

Um cachorro tenta entrar no ônibus e confuso volta para a matilha, ainda mais confusa.
O chefe esquece que é um cão !
Tão identificado que era com aquela família de humanos que acabou por jogá-lo porta fora.

Wilson Roberto Nogueira