domingo, março 28, 2010

Procura na voz do olhar
das estrelas
uma melodia  de sonhos
leve suspiro fantasma
de pó e esperança
ou seria lembrança
Ela está lá
como uma recordação
no olhar liquido do luar
Jogo a escama de uma rocha
que reverbera virando peixe
no sonho do céu
que olha para a Terra
e se vê azul.

Wilson Roberto Nogueira

quarta-feira, março 17, 2010

domingo, março 14, 2010

Nesse espaço espero .
Espero
ter alma de aço;
Assim fugindo,
escorrendo pelos
poros.
Parto empertigado
no silêncio afogado
de uma alma de aço
enlaçada pela cidade
perco o passo , o bonde.
O que faço?
Alma de aço, aonde?
assim me faço
palhaço.

Wilson Nogueira

quinta-feira, março 11, 2010

Terminal

O que eu espero,
lampejos no olhar
e que ela não esteja
morta sem estar.
o desespero esquarteja
no silêncio de um olhar.
que vai embora
assim,assim devagar.
víbora lhe foi viver.
Morre agora.
Desgarra e aflora
na escuridão.

Wilson Roberto Nogueira

quinta-feira, março 04, 2010

Ela fora tragada por aquele traço
pensara que ali encontrara seu espaço
que seria o alcool a percorrer aquelas veias.

Mera fumaça numa baforada de esquecimento.

O traço delineava o vácuo dela própria no espelho.

Sua boca percorrera o vazio de um traço
no sorriso de uma lãmina de vidro no teto
de suas entranhas.

Só um traço rasgando de negro a noite pálida

Wilson Roberto Nogueira

segunda-feira, março 01, 2010

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Russalki-Voar

Do que não caçoa o Diabo
Das asas nas costas do cujo a não saber usá-las,
Que pode valer-se delas para voar!
Ou "De que servem asas tão curtas para céus tão vastos ?"
sonhos são venenos nas veias das pequenas asas.
Só os céus sabem o sabor etéreo do sonho.Asas?
Só servem para quem se arremesa contra o mêdo;
contra o vento ao sabor do desafio da morte
por melhor sorte
ou não

Wilson Roberto Nogueira

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Os passos pesam tanto
e esparsos somem na areia.
viram miragem na boca do vento.
Wilson Roberto Nogueira
Um muro translúcido me veste a mente
formatando em névoa invisível minha vontade.
Wilson Roberto Nogueira
Antes da alma amanhecer madura
ela procura tateando nas sombras
sua identidade.
Wilson Roberto Nogueira

Carnaval

Carne Vale ?Viverá feliz aquele que da carne vive?

A carne vivifica enquanto devorada de vida ?

Carnavalizará na bacante dos sentidos tateantes

na tempestade de luzes dos corpos cruzantes .

Vive a chama enquanto queima quem a sustenta

Corpo empoderado de ilusão explode em luzes

cego se arremessa ao precipicio do gozo.

Wilson Roberto Nogueira

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

O calor do nordeste mudou-se para Curitiba
abençoando de suor as madrugadas.
A cada passo carrego dois de mim.
Quisera ser sombra ou fumaça.
Sou pedra da calçada.
Nessas calcinadas histórias respira a rua
chamando a chuva que nunca chega.
Sobem espíritos no humo feito águias
fazendo ninhos no sol.
Quisera ser sombra ou fumaça na respiração dos deuses
que castigam os caminhos e que desnudam as vontades
tão voláteis e humanas.
O calor do nordeste mudou-se para Curitiba
na agrestia dos rostos fechados das casas
e dos muros em procissão.

Wilson Roberto Nogueira

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Gritos velozes de Liberdade dentro de um túnel emudecidos a ameaça da Luz.
Olhos a sorrir e lábios a propor curvas perigosas; sondam chicotes misóginos
defensores da moral.Voltara para o Angustistão para espiar o mundo numa cáfila de dromedários ciganos que a levassem a ser uma luz efemera na constelação de Bollywood.
Voltou para o Irã.O vaso era do tamanho de suas raízes.
Wilson Roberto Nogueira
Seguindo o caminhar felino de um fim de tarde tropical nada restou do leitoso mormaço daquele olhar ;era só um pardal embriagado pela água ferruginosa daquela poça.Embora grogue , o passarinho ainda se permitiu piar com toda força do pombo que ao aterrisar não vira a tampinha e quebrou o bico no cimento.-Modo de dizer-.O pombo humilhado esqueceu que tinha asas e melancólico pôs-se a caminhar, tendo o cuidado de imitar os humanos para não acabar como ...Oh ! aquelela mancha rubra com penas que um dia voava feliz!Seguiu o caminho da incerteza e ninguém mais teve notícias da ave.
No banco da praça um velhinho que a tudo assistia decidiu ajudar o pardalito que tinha dificuldades de andar ainda mais voar.O bom velhinho colocou o pardalzinho num muro ,logo a criatura caiu para o outro lado ,de bico, na goela de um gato que ferido regurgitou .Enojado com aquela coisa plastosa esverdecenta meio marron e cinza que vomitara , ignorou e foi brincar com um camundongo atordoado largado numa pedra do quintal.O pardal e o pombo foram se juntar a anonima história da fauna urbana.
Wilson Roberto Nogueira

quarta-feira, dezembro 30, 2009


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Repete...repete
reveste de cinza
revê a veste
rota nas cinzas
cinzeiro da memória.

Fantasmas flutuam pálidos
na meia luz da janela
que pisca ao vento
Bate .Bate a luz nos olhos
luzes trêmulas na areia fina
à queimar a pele da morada.

Passos apodrecidos aparecem
pegadas do passado.
Piscam janelas ,
piscam sombras prateadas
abana a memória de ausentes sorrisos
residindo nos restos de vidros opacos
cobrindo dores antigas.
Casa Abandonada.

Wilson Roberto Nogueira

Casa abandonada.

terça-feira, dezembro 22, 2009

Prato quebrado
quebrado anoitecer
uma vida.

Wilson Roberto Nogueira
Sombras sem contornos definidos
traçam caminhos de veneno em cálices
de cristal;enquanto a avó e o neto
encapsulados em um quarto imaginário
fazem bolhas de sabão .

Wilson Roberto Nogueira

sábado, dezembro 12, 2009

Sonho de Natal

Esperanças douradas roubam sonhos
no alvoroço de moedas em bolsos fundos
não acalentam consciências.
Caem alguns vinténs nas mãos encardidas
alívio infla de bondade quem aperta a carteira
e apressa o passo burguês desviando na calçada.
Mais um que paga à morte mais uma noite de vida.
Relâmpeja o ódio a cheirar querosene e carne podre a queimar
Céu sem urubus e alma plena despejando o Cristo no Natal.
Chega em sua casa cinza e satisfeito por mais um dia de trabalho,
ora agradecendo a Deus e dorme em seu sonho .

Acorda disputando com um rato restos podres num lixão.
Inferno ou céu que importa!

Wilson Roberto Nogueira

segunda-feira, dezembro 07, 2009

A ira da vida é a morte
aos tropeços a pisoteamos.
sonha a vida ser vista
falta luz
só suas sombras projetam contornos
na planície do existir.
Quem resiste a vida morre em pé
árvore sem entranhas .

Wilson Roberto Nogueira

sábado, novembro 28, 2009

fantasmas marcam presença no vácuo da Sala solta

Fantasmas
miasmas que miam nóias
marcam presença
no vácuo da Sala solta
da Biblioteca .
Dançam cabeças
sóis e sombras
nas letras da Big Band
Gers....in
Enquanto o pranto se alegra
atrás da poeira sorrateira
dos quadros
sonhos de senhas ocultas
tartamudas nuas sanhas
assanham tédios
guardas em greve.
entrevados papéis sem leitores
sem pernas e sem asas
livros jogados na estante cinza
das desidéias.
O fantasma espetado espera...

Wilson Roberto Nogueira

sexta-feira, novembro 27, 2009

bêbada , só tropeçou em si quando
não pode mais ver-se no verso da sua lousa
rachada de desengano trincou palavras e saiu
Nadando no vapor de neons negros engoliu a noite
Um auto a pescou e arrancou-lhe o coração do dia.
amanheceres não mais.Quem se importa.
Wilson Roberto Nogueira