quarta-feira, abril 16, 2014

lembraram aqueles parques do final do século XIX e inicio do XX em Paris e Londres onde se exibiam "espécimes pré-históricos da Oceania " e "primitivos africanos " naquele tempo haviam cercas de ferro separando os curiosos europeus dos "exóticos seres".Um avanço  as criaturas não estão em jaulas nem em algum parque temático fora de seu habitat original.Soube que não mais marajás patrocinam patrocinaram safáris de turistas montados em Elefantes  atirando em tigres e leões e sim  jeeps subindo esses jungles de barracos e "gatos "atirando com suas câmeras e celulares para roubar almas de mercadorias na forma de pessoas .

texto de Wilson Roberto Nogueira

terça-feira, abril 15, 2014



domingo, abril 13, 2014



Não
ele apenas deu uma gota minúscula do que é 
estar do outro lado.
Não , 
o judeu não obrigará o alemão levar outro alemão para dentro de um forno crematório.

Não 

Fraulein,

 ele o judenrat  

também não ficará brincando com a pistola 
estando diante de uma vala comum
com centenas de corpos .

O nazista vai andar a pé até algum gulag na Sibéria ou voltará pra sua Alemanha.
(depende do ano )

ele deve lembrar de Deus e sua santa suástica 
orar para que o oficial soviético e seus soldados 
não tenha passado por aldeias onde mulheres e crianças russas,
chacinados pelas ss e a sua gloriosa werchmacht..

sua esposa não será a lembrança de mulheres que já não existem mais .Nem a russa ou até mesmo a alemã.Que sorrirá com todos os lábios por um chocolate e um cigarro.

Passará o soldado Nibelungo murmurando que só cumpria ordens e se não tivesse cumprido seria morto, 
Ao som do Tropéu da Cavalgada das Valquírias  um manto de vergonha foi o derradeiro legado de Hitler para a nação alemã.
As vísceras de Dresden e Berlin urram para os céus e não existe uma única fresta para respirar ,para ressuscitar dos escombros, das cinzas .de Wagner 

O soviético tenta não ver vinte milhões de pais , mães ,filhas, netos e mesmo assim, judeu que é, não mata o alemão e dá o seu rifle a um fantasma que aos poucos retorna do mundo dos mortos e esse alemão viverá para encontrar no meio dos escombros o que restou de luz nos olhos de sua família. 

Bom, o oficial do campo e os sss devem estar dependurados dançando por aí enquanto os cossacos tocam sua harmonica e sua balalaica . 

Guerra é arame farpado rasgando a alma , cortando sonhos e abrindo com a dor
outros olhos que jamais verão campos verdes e floridos até brotar alguma criança
no útero estéril de tanto levar chutes de sombras que invadem amanheceres, 
uma gota de sangue molhando um sorriso no olhar .Olhos negros , castanhos , 
azuis de sonho rasgados de esperanças suando pétalas numa flor tocando o lábio da amante , 
esposa que espera no silêncio as sombras dos uivos vazios cansarem de açoitar .



Ela um dia será sol novamente . ..




Nada do que é humano me é estranho.

Wilson Roberto Nogueira

sexta-feira, março 14, 2014

Wilson




Wilson


Wilson


Wilson
















terça-feira, março 04, 2014

No dia da festa da carne saiu à procura do que comer
revirava o lixo de suas entranhas na busca do viver
o eco que reverberava de seus ossos só o cegava
vagava na jugular daquela cicatriz aberta
a procura de algum calor cidade deserta
Tropeçou numa alma mareada de luz
e num breve momento foram um só
Qual era o nome , terá sido a fome?


Wilson Roberto Nogueira

sexta-feira, fevereiro 07, 2014




quarta-feira, fevereiro 05, 2014

Dalida - Hava nagila (1959)

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

O que resta do rosto da memória
a pálida palavra de uma nuvem
no solo sedento de verdes amanheceres
mera sombra de uma nuvem.

Wilson Roberto Nogueira


sábado, fevereiro 01, 2014

Cabra marcado pra morrer
morre a cada dia num viver
arrastando a sina sob o sol.

Caminha sem deixar pegada
sem jamais conhecer as letras
que juntas à traição arrancarão
da raiz  o céu dos dias e a promessa
de chuvas nos amanheceres do coração.


Wilson Roberto Nogueira
Sai correndo o som da  sirene a saltar muros
percorrendo grades .

Hora dos mistérios flotantes no prato do preso
a premeditar sombras de uma corda só.

Cordas que prendem uma mãe ao filho
que germinou naquela criança abreviada.

O buraco no muro escoa mais uma sombra
nas telas da cidade.


Wilson Roberto Nogueira
a rotina rói e arruína
tira a água que ilumina
a retina que aquece
o coração do dia em uma prece.


Wilson Roberto Nogueira

sábado, janeiro 25, 2014

terça-feira, janeiro 21, 2014





domingo, janeiro 19, 2014

Valeu viver mais um dia

Na calçada caminhavam duas grávidas uma a conduzir um carrinho de bebe , outra carregando uma criança .O sol mordia-lhes de cansaço até que elas encontraram um burguês vestindo roupas surradas aparentando estarem enlutadas de tanto desmazelo; segurava uma pasta e um guarda chuva desconfiado dos humores bipolares do clima curiovano. A mulher que conduzia o carrinho pediu um dinheiro para que pudessem se alimentar, ela contou que veio de Ponta Fina  e não tinha um vintém sequer .Como era conterrâneo o polaco não pestanejou e deu uma onça que certamente se fartou com a fome das duas mais as crias.

Passou um quarteirão e o interiorano seguia arrastando sua corcunda  e sua gravides de três meses de cerveja sob o bafo da manhã ,manhã que se perdera do Rio de Janeiro e tropicou por essas quebradas.Ao contrário de outros dias já falecidos na memória (visitas do Alemão nefando !)caminhava feliz pois acredita-se Deus oportunizara o cidadão a estar limpando de impurezas o dinheiro que amealhava na corrida de pangarés.Tão alheio que ao cruzar a canaleta do expresso quase desviveu se espalhando no asfalto ondeado mas naquele zaz o anjo da guarda mostrou ser fura grave.

Ali mais adiante uma casal de carrinheiros passava ao largo; ele o cavalo vapor conduzia a carroça que era um Empire State de caixas papelão e outros que-tais recicláveis .A senhora de olhos verdes que eram tão brancos que parece ter engolido todas as cores numa luz intensa de força e fé andava na calçada a cada passeio mais pergaminosa de tanta estória largada.Mais nós abrimos a conversação falando das modernidades em termos de carrinho de lixo,digo de bens reaproveitáveis .Os pneus de borracha, a estrutura mais leve, tudo pensando na capacidade de se acumularem mais valia.Exploração arretada.O valor da força de trabalho , sempre subvalorizada caindo no bolso de quem dá de comer as hemorróidas .É o polaco era comuna .

A mulher pediu umas moedas para inteirar o dinheiro para que pudessem comprar comida.Não tendo mais papel moeda aceitaram ir até um posto de gasolina onde a loja de conveniência possuía um terminal bancário.Lá chegando encontraram algumas caixas de papelão estocadas as quais puderam pegar.Ela disse que esperaria enquanto o cidadão sacava do caixa o sagui ou mico leão um macaco desses .fez e entregou para ela que se derramou em desejos de bem aventuranças ao caipora, digo caipira..

O burguês ridículo que tropeçara na bondade, sentira-se mais leve andando de galochas nas calçadas de poças ocultas nas pedras mal colocadas da cidade,a qual esqueceu seu charme cinza de seus urbanóides escondidos em seus guarda chuvas cortando o ar a facadas.O polaco velho guardou sóis em seu coração no sorriso daquelas gentes simples.

Valeu viver mais um dia.

Wilson Roberto Nogueira

o Fim de Don Pepino Pancetta

Ele não enxergava mesmo antes de perder a visão depois daquela chave de coxas que ela deu.Acabou virando ração para a faminta boceta que devorou seus últimos cobres ;em troca sempre ficou à fresca tal a sombra que suas guampas proporcionavam.Limparia sua honra com sangue se ela tivesse , pra que sangue se ela descarecia pois não tinha coração.Acabou desvivendo mergulhando a cara num prato de sopa.

Wilson Roberto Nogueira
acenderam dois pequeninos sóis que iluminaram o rosto da criança.
guardada  naquele  cinzento depósito à espera de uma porta entreaberta no coração
de alguém .Como quem escolhe um pet para chamar de seu ,abrem os dentes
como correntes os pais postiços .Ela grita enforcada entre suas jóias sua genuína emoção.
"Enfim é meu "Uma semana se passara e  enquanto o carro rodava ela continuava dizendo e continuava saindo sons de amores de plástico descartável .


Wilson Roberto Nogueira

segunda-feira, janeiro 13, 2014


Na calçada a cama aguardada
dama que cobre de carinhos de
prostituta embriagada
olhos brilhantes que feneceram
jazem gerações de lágrimas em
secos céus sem nuvens
teto do meu lar na boca da noite.
Wilson Roberto Nogueira


um cachorro que sonda a sombra com o focinho
na esperança de um carinho.


Wilson Roberto Nogueira

Níver das Diretas em Curita


sábado, janeiro 11, 2014

Quando  apenas se  lê a Bíblia (ou a Torah ou o Corão) sem estar se  ali sua alma ,quem faz companhia a você nesse teatro, é o Cão.De pessoas que abrem a Bíblia e a deixam ali ,bem aberta para que todos os vejam (o livro sagrado e sua estátua de carne e osso ). Também  não falta aos cultos e quando sai  do templo não enxerga , não vê e  não sente nada além de aversão ao mendigo.Pode  muito bem voltar a ler, rezar...Tu sombra de uma estrela que não existe mais, sua alma.

Wilson Roberto Nogueira


Sou obrigado a dizer obrigado ,
não 
então digo obrigado
pela obrigação de ser grato
essa sim a gratidão 
é minha obrigação
moral .E estou sincera e
francamente na obrigação
do meu obrigado ser irmão
do Estar Grato.

Wilson Roberto Nogueira

domingo, janeiro 05, 2014

comi um naco de névoa e minhalma nela se perdeu
procurei um ruído e no silêncio a encontrei desnuda
dançando sobre o menorah.

Wilson Roberto Nogueira
fantasmas flutuam pálidos na meia da luz
cortina de sonhos na janela da alma.
pisca o vento murmurando antigas orações
coração do tempo bate aflito pulsão de morte
temperando a vida parindo da ferida uma semente de sangue.
Bate a porta e a morte desejada escapa  deixando queimada
a morada da vida num beijo de aço e pus .
Na guerra a arma de destruição duradoura é o estupro.
No rosto da inocência a culpa eterna de ter nascido
a herança queimando na espinha a cada olhar
o silêncio estalando como um chicote
Passos na escuridão e no trovão uma bota no rosto
pegadas sonâmbulas na neve
velhos fantasmas da guerra
Ruínas de igrejas,mesquitas, sinagogas
Tantas casas vazias onde está o Senhor !!


Wilson Roberto Nogueira
Revestida de cinza e brancas rotas vestes
voam plácidos no abismo olhos de luz negra.
Cinzas voam livres e velhas prisões famintas
agora são ossos morada de flores.
flores de pétalas doces .
Janelas em prantos esperam horizontes
cicatrizes costuradas no aço arames são caminhos
veias da liberdade.Bebe a paz no elmo caído da guerra.
Todos nossos ossos secos ao sol são brancos.



Wilson Roberto Nogueira
Entre u'a novela e outra.Pausa para o comercial telejornal.no mercado do entretenimento a noticia é show.mercadoria embalada a ouro de tolos alimentando de pedras de luz a angustia de mergulhar no vazio;alugando o tempo à névoa densa da ideologia onde a reflexão não encontra os próprios pés e segue informa(ta)da,fidelizada manada de consumidores tocada pelos apelos do carisma  do olho luminoso da tele-visão, do galã e da mocinha.O IBOPE atesta a audiência da hipnótica força do dogma do verossímil travestido de verdade, na máscara do sorriso fácil ou da calculada expressão de seriedade .Seguimos contudo a desligar a caixa de ilusões e procuramos aquela edição do Hommo Viddens de Giuseppe Sartori e caímos a larga na Sociedade do espetáculo mais uma vez .


Wilson Roberto Nogueira

quarta-feira, dezembro 25, 2013


deves deixar de ter as entranhas expostas
no açougue

falar em voz baixa para que meu coração
apenas seja ouvido pelas vísceras.

O coração é a luz intensa que dita os passos
da razão
É a luz que encobre as pedras dos ocasos
é a ração
diária de sangue que a vida cobra
daquele gauche que por hora veste
a armadura da razão


Wilson Roberto Nogueira

sábado, dezembro 14, 2013


Um pequeno sol escurecendo a visão.
Na escuridão do quarto o olho cego de uma lanterna.
A porta arrombada de uma morada.
Um sórdido quarto de pensão
testemunha a prisão de um insone ladrão
de sonhos.

Inocência ausente desertora precoce
prece silenciosa diante do abismo e seu sorriso.

Porta aberta sangrando histórias que só as sombras sabiam.

Sob o colchão mofado acorda como quem se livra de afogar-se
o morador da pensão olha no olho da lanterna
o cano de uma arma.

Esteja Preso !


Wilson Roberto Nogueira.

Dois sapatos encarnados de salto alto colados pelos calcanhares , são as suásticas capitalistas da grife McPuta feliz.Os homens públicos contudo, cansados da concorrência cobram multa dos clientes das esquinas perfumadas de flores do foder.

"As prostitutas francesas saem às ruas contra a lei que multa seus clientes " 

Wilson Roberto Nogueira