O casaco da memória dá abrigo a restos manjares de ratos.
nos bolsos dos sonhos sobrou um níquel, nada além.
A manhã de sol enganador, só a umidade cortante da razão
cravando adagas de cicatrizes, sorrindo soda e ácido.
abre a porta na manhã fria e não existe uma foice sequer.
Resta resgatar dos escombros algum barro novo a espera
de um sol trôpego e desavisado que dê alguma consistência
ao barro que teima ser pedra quando é só pó.
Wilson Roberto Nogueira.
domingo, maio 26, 2013
domingo, maio 19, 2013
o silêncio vai raspando a pele até cortar a veia do sentimento
o sangue verte irrigando o sofrimento
que germina novas luas
de plácidos rostos em lagoas puras.
Jogo o anzol e só espero o prateado brotar peixe
faminto não sinto dores nem o clamor da fome
não vejo a lua me olhando triste no fundo do lago
só o peixe essa moeda da minha angústia.
palavras são foices ou seda, lã ou adaga
em mim elas saem como desespero de peixes
numa lagoa a secar no olhar de prata da lua
O sorriso plácido do silêncio é uma adaga
um sorriso que corta sem saber
corta o ar da gota prateada que se fez peixe
e não sabe por que seu mundo está a secar.
talvez ele já não saiba mais amar.
Wilson Roberto Nogueira
terça-feira, abril 09, 2013
À Sombra do Carrinheiro
O carrinheiro carrega o fardo de seus sonhos desfeitos
feitos de papelão que queimam no dia a dia a ilusão
vivem pra ontem à correr pro hoje
a passos mortos no agora da ágora.
O carrinheiro com que ganha alimenta de sal a esperança
nas vísceras o sabor do café fraco e frio pro filho sua
herança
nos seios secos de leite ainda verte da dor o amor
pedra que rasga o coração no arame do choro faminto da
criança.
O carrinheiro com o vento leva as cicatrizes de suas pegadas
o sangue seco na secura de seus olhos fantasmas
só ilumina a luz de sua sombra companheira
do fiel cão que dá a vida sem exigir o seco pão
corpo de Cristo na fé que transcende a razão
cão que come a carne que resta quando encontra
lhe basta a carne do vento na sombra do carrinheiro.
O carrinheiro carrega sua sombra fantasma na sombra da selva
da cidade parte pedaços parte em pó nas partes da cidade
paisagem qual pedra um Pedro ou Zé nas sombras
Ao dia que se amontoa e soterra a noite que ilumina na
escuridão
as trevas nada a gota humana carregando a si e o que de si
resta
è o que presta presto cavalo homem da urbe trituradora
vapor trabalho desconstruindo na força motriz a mercadoria
Segue animal alienado lutando por sua humanidade diante do
aço e do vidro.
È só o pó que resta da mercadoria a força de trabalho de
valor tão escasso
tão sem cifrões e zeros só o valor reciclável de uma vida
Segue a poesia nas pegadas do cão ao caminhar
Parte da paisagem sombra sangue que escorre das cicatrizes
da cidade
Tiro de verdade na ilusão
soco no estomago da Feliz Cidade.
Wilson Roberto Nogueira
quinta-feira, abril 04, 2013
O cumprimento ficou no vácuo,
assim como as palavras.
O silêncio arremessado no abismo.
A arte que engole o artista
e cospe seus restos no vazio dos rostos ébrios.
Sombras que projetam gigantes
quando são apenas ratos.
Sou um rato que bebe do ralo
as belas palavras de belas putas.
Wilson Roberto Nogueira.
terça-feira, março 26, 2013
Instituição Religiosa
Instrumento de legitimação e domínio.rebanhos de todas as
ordens são rebanhos na mão de pastores ."afastem-se da luz "pode
existir um PolterGeist dos infernos atrás da Luz .Uns interpretam ausência de
cores outros a soma de todas elas mas só vemos o branco dos dentes dos pastores
, dos lobos e da lã das ovelhas .
Wilson Roberto Nogueira
malandro agulha
tente e re-tente que a tinta sairá do cuore ou do cérebro ou
das cicatrizes ou da sombra
penso
:equilibrar-se sobre um fio no alto do circo não tendo rede embaixo e ser
franco e honesto consigo mesmo e com a morte.Usar o discernimento e o bom senso
sempre senão cataplaft...
pode não ter nada a
ver com a gíria parece uma erupção sem barulho de algo que assisti nas sombras
dos sonhos.
levantar peso, a vida já faz; lançá-lo à distancia meu rapaz
é o que satisfaz.A jóia do saber viver é aproveitar os detalhes da vida , focar
na claridade sempre , mesmo no escuro...
preciso de drágeas de auto-engano para convencer a sombra
que sou que sou sol
só sabendo ler na sombra que sou que existe sim a
possibilidade da luz.
Wilson Roberto Nogueira
sábado, março 23, 2013
A questão Síria
As monarquias árabes comemoram a queda de Assad ao mesmo
tempo em que ficam apreensivas
com a instabilidade que transbordou da primavera
árabe e ameaçou até Bahrein, aliado dos sauditas .
Até que ponto o
enfraquecimento da Síria e a divisão do país em pequenos estados de soberania
relativa (estados clientes com as forças armadas dependendo de financiamento ou
tropas estrangeiras )é do interesse estratégico (de equilíbrio regional ) para
Sauditas e seus aliados no Golfo?
Com a eliminação da Síria a questão de Golã
some para Israel ou uma Síria esquartejada é um Irã ainda mais influente na
região?
Quem insuflou essa revolta pode ter dado vários tiros no próprio pé.
Wilson Roberto Nogueira.
Infância palestina ?
Infância palestina ?Acha mesmo que uma criança nascida
naquelas condições ,ainda continua a ter os olhos brilhando de inocência e por
quanto tempo?E Quanto as mães grávidas agredidas, os murros e as lâminas de ódio racial
dos colonos e dos soldados , a humilhação dos pais.As crianças que existem
nelas são assassinadas dia a dia e apesar disso continuam vivas e lutam para
voltar a ter no coração um sorriso.
Wilson Roberto Nogueira
sexta-feira, março 22, 2013
poetas que lêem
poesia ...poetas
que lêem o perfume da
rosa
mesmo na prosa...poetas
tateando cicatrizes da
rua
vêem poesia...poetas
das nuvens ouvem estrelas
sonhando sóis
em frios pingos de chuva
em cristais queimando
letras
guardando sonhos e
sombras
no papel
só poetas
poetas que não lêem
cegos que escutam cores
cegos poetas que não vêem
?
Wilson Roberto Nogueira
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