terça-feira, dezembro 22, 2009

Sombras sem contornos definidos
traçam caminhos de veneno em cálices
de cristal;enquanto a avó e o neto
encapsulados em um quarto imaginário
fazem bolhas de sabão .

Wilson Roberto Nogueira

sábado, dezembro 12, 2009

Sonho de Natal

Esperanças douradas roubam sonhos
no alvoroço de moedas em bolsos fundos
não acalentam consciências.
Caem alguns vinténs nas mãos encardidas
alívio infla de bondade quem aperta a carteira
e apressa o passo burguês desviando na calçada.
Mais um que paga à morte mais uma noite de vida.
Relâmpeja o ódio a cheirar querosene e carne podre a queimar
Céu sem urubus e alma plena despejando o Cristo no Natal.
Chega em sua casa cinza e satisfeito por mais um dia de trabalho,
ora agradecendo a Deus e dorme em seu sonho .

Acorda disputando com um rato restos podres num lixão.
Inferno ou céu que importa!

Wilson Roberto Nogueira

segunda-feira, dezembro 07, 2009

A ira da vida é a morte
aos tropeços a pisoteamos.
sonha a vida ser vista
falta luz
só suas sombras projetam contornos
na planície do existir.
Quem resiste a vida morre em pé
árvore sem entranhas .

Wilson Roberto Nogueira

sábado, novembro 28, 2009

fantasmas marcam presença no vácuo da Sala solta

Fantasmas
miasmas que miam nóias
marcam presença
no vácuo da Sala solta
da Biblioteca .
Dançam cabeças
sóis e sombras
nas letras da Big Band
Gers....in
Enquanto o pranto se alegra
atrás da poeira sorrateira
dos quadros
sonhos de senhas ocultas
tartamudas nuas sanhas
assanham tédios
guardas em greve.
entrevados papéis sem leitores
sem pernas e sem asas
livros jogados na estante cinza
das desidéias.
O fantasma espetado espera...

Wilson Roberto Nogueira

sexta-feira, novembro 27, 2009

bêbada , só tropeçou em si quando
não pode mais ver-se no verso da sua lousa
rachada de desengano trincou palavras e saiu
Nadando no vapor de neons negros engoliu a noite
Um auto a pescou e arrancou-lhe o coração do dia.
amanheceres não mais.Quem se importa.
Wilson Roberto Nogueira
desembrulhar-me de mim
permaneço estático ante o que me embrulha
parede de pele rugosa escorrendo rubra revolta
silêncio sonho convulsões sózinho
desembrulho fardo dormente vontade
desembrulhar-me quem dera vale nenhum vintem
vales estreito de escuridão incerta
torcendo sombras a escorrer ácido.

Wilson Roberto Nogueira

quinta-feira, novembro 26, 2009

No café Toscana a garçonete
-Quer "quetchupe" ?
-É claro que eu quero!
Ficou no querer.Muita gente ?
Wilson Roberto Nogueira

quarta-feira, novembro 25, 2009

No café toscana só um encantamento
momento que se perde no tempo
o calor de um toque passeando
na pele sedenta contornos de infinito.
A tatuagem de um sonho no corpo perfeito
daquela mulher.
O mixto- quente esfriou e o suco de açaí ferveu.
Wilson Roberto Nogueira

terça-feira, novembro 17, 2009

A INFÂNCIA DE IVAN

O sol cintila dor
além do prazer,
é sexo solitário sem pecado.
Wilson Roberto Nogueira

sábado, novembro 14, 2009

sexta-feira, novembro 13, 2009

A sua alma escondeu-se
nas costas da sua palma
para não levar palmadas.
Transparência ou translucides?
água que não se vê
não é pureza que se beba.
Onde ela está?
Wilson Roberto Nogueira
olhares obliquos
reticências no pensar
caminho na ponte incerta do teu sorriso.
Wilson Roberto Nogueira

quarta-feira, novembro 11, 2009

A dor doia tanto
O que ele tinha haver com ela?
Ela doia tanto que doirava a noite e domava os dias,
tão presos de sangrar que não disparavam tropéis alucinados
rumo as covas dos entardeceres.
A dor bebia a vida,
gole a gole se deliciava.
Quando da última gota bebeu a dor,sofreu.
E respirei livre por um momento.

Wilson Roberto Nogueira

quarta-feira, novembro 04, 2009

A menina estende a mãozinha;
como é breve o brilho da moeda.
Wilson Roberto Nogueira

terça-feira, novembro 03, 2009

Claude Levi-Strauss

domingo, novembro 01, 2009

‘No hay un solo camino sobre la mar
sin su contrario,
no hay maneras de estar y no estar donde se viaja’.

‘Partida’ , in Terredad .

Octávio Paz

Picolé de chulé

Aquela calçada, banguela, chupou a meia pelo buraco da sola do passante,
deixando um pedacinho de saudade salgada na ferida da raíz do pé .

wilson Roberto Nogueira

Los Angeles Freeway

sábado, outubro 31, 2009

"Mãos invisíveis que fiam toda a trama humana "
João Ubaldo Ribeiro.in O Albatroz Azul.

quarta-feira, outubro 21, 2009

Cada frase franze a testa do verbo em folhas.
que O vento sopra para longe num gemido; dor
no silêncio não mais sinto.Tateio o coração
com um espinho.Cura-se com o sangue.

Wilson Roberto Nogueira

terça-feira, outubro 13, 2009

Viagem pelo Fantástico, Surpresa na Estrada,1970

A sereia sorriu areia dourada
areia doce num canto suave
profundo
água fazendo deitar o corpo
no fundo da serena lápide
amor sem abandono.

Wilson Roberto Nogueira

segunda-feira, outubro 05, 2009

domingo, outubro 04, 2009

A lua chorava
enquanto ela chovia
suor da alma que amava
o sangue escorria
ela não via
era tão doce que a dor sarava .
no espelho dos olhos escorria
imagens à margem da empoeirada
caminhada dos dias.
afundava quanto mais amava
sem sufocar morria.
A lua chorava
de tanto rir.

Wilson Roberto Nogueira
- Querida, seus olhos precisam fazer regime
- Não estou olhando para ele.
- Para ela?
- Veja aquelas olheiras...!

(sobraram aquelas sombras saboreando seus mortos.)

Wilson Roberto Nogueira

sábado, outubro 03, 2009

o pardal passeia aos pulinhos entre a selva de pernas amarelas e o gelo azulejado do bar;Lá fora pasta o homem ,sua cota de lixo.

Wilson Roberto Nogueira
Rasparam o útero da idéia e com ele
o feto não nascido da conciência;
no lugar , o vazio da desrazão
semeou de esterilidade a vontade,
bêbada apagou na morte revisitada,
o cristal negro dos dias.
assim caminhava...
por sobre os cadáveres sem rosto
até o sol surgir
numa manchete:

Morreu a Odete !

Wilson Roberto Nogueira