segunda-feira, novembro 25, 2013

Ela procurava dissimular afeição ao seu coração espalhando espinhos com o olhar.


Wilson Roberto Nogueira
cai o pano e o palco apresenta O Farrapo.


Wilson Roberto Nogueira
No meio da multidão ela mergulhava naquelas páginas rasas e intermináveis.


Wilson Roberto Nogueira

domingo, novembro 17, 2013







Em cada pegada uma cova rasa
de dor regada
cava de vinho doce
semeada com bagas amargas
gargalhadas de vidro quebrando na escuridão.
Em cada passo sonolento
um pouco de morte e desalento
sonâmbula fome de viver o tormento
tormenta tocando alaúde em Sevilha
0 punhal daquele olhar de cigana
dançando flamenco
gotas de sangue e areia doce
digeridas com insaciedade de sol e sal.
Sevilha eterna

Wilson Roberto Nogueira.1997



Em cada pegada uma cova rasa de dores regada


Gargalhadas de vidro quebrando na escuridão
enquanto passos sonolentos sentem
o sabor da morte no desalento.

A fome de viver torna-se tormento
na navalha que corta com um sorriso
gotas de sangue temperam a areia dos sonhos.

Digeridas com insaciedade o sal e o sol dos dias
anoitece sob os escombros almas vazias.

Wilson Roberto Nogueira
Ni
nicotina
na rotina
rói a retina
da razão.

Ni
nicotina
cortina de fumaça
que embaça
o pulmão.

Ni
nicotina
da vida tira a tinta
restando
o carvão.

Wilson Roberto Nogueira




segunda-feira, novembro 11, 2013

O livro deitado de bruços na escrivaninha  coberta com  um papel vermelho onde letras discursavam para as massas de pão  e ácaros - O analfabeto politico de Brecht o silêncio embolorado da manhã encarcerava a esperança.

Wilson Roberto Nogueira
Comprara livros .Lia ?Eram vidas que o mantinham em pé.De si  só vidas dos outros.Pensamentos-velas e idéias  âncoras munição para o espírito.Até o jogarem no arquivo morto da repartição.

Wilson Roberto Nogueira
Pulava de financiamento em financiamento o professor trotskista."As condições objetivas !" faziam-lhe calos 'Ah , que apertado o sapato do capitalismo!"

Wilson Roberto Nogueira
bebia as lágrimas salgadas da pétala de sua amante até sugar-lhe o rubro botão.

Wilson Roberto Nogueira
O senhor polonês a cada chicotada no seu criado ,atirava com uma "Ave Maria."

Wilson Roberto Nogueira

A semente oca .

Ler no braço toda uma história - as placas de gordura , as pelancas, as casquinhas do ressecamento; tudo marcado pelas vírgulas das cicatrizes;cada letra com o devido  pingo  de sarna.Um pergaminho de deterioração, degeneração a espera do ponto Final.

O olhar perdia-se no opaco enredo de u'a estória  de desenganos.

Naquele café esfumaçado bebia a si próprio , a cada gole ,enquanto o tempo passava .Impreciso caminhar."Que horas 'serão' , será noite ou dia ?Não importava mais, sua juventude se fechara e só restara uma lâmina de luz cortando os pés da porta.

Chegou em sua sórdida morada embora não tenha lembrança de haver caminhado até lá .Pôs-se a descamar-se de suas roupas e a medida que se aliviava delas , não encontrava sinal de si.A sombra que o perseguia , perseguia o sobretudo que ora o cobre de seu derradeiro inverno .

Agora entre o pó e as teias  de seu quarto tornara-se o vulto translúcido de seu trincado espelho.

Wilson Roberto Nogueira

sábado, novembro 09, 2013

Sonhei com um ônibus que rodava sem motorista.Olhando para o banco preto e rasgado,
uma garrafa de conhaque lazarento.Não lembro do paradeiro da estória.Perdera-se na nuvem e por isso , não encontrou ponto final.Afinal aquela jardineira descarecia de viventes .

Wilson Roberto Nogueira
O convento está entre suas coxas .Uma cova ao relento.

WN






A suicida

Da janela uivava o vento vagando na noite  a alma acorrentada, que  enfim livre, voava no último sopro
da noite.No espelho do olhar da lua ,a pele qual nuvem de seda chovia ansiando o toque.O  último beijo
no sorriso  do asfalto.

Wilson Roberto Nogueira

terça-feira, novembro 05, 2013

O rasta procurava Jah na fumaça que lhe falava às chamas do coração
Cantava com os pés as melodias dos espíritos entre os cornos da Babilônia
Mas era só névoa e sonho de seu último sono
nas trevas via cores e sentia o beijo da vida na caveira fria
tirava forças nas quebradas de seus pesadelos
sorvia loucura nas taças do pranto
só assim sentia-se vivo sendo sombra que nascia de si um
outro.
Na busca do Eu perdido no labirinto só encontrava a face rasgada da Babilônia
Efêmera fumaça que se dissipava na vertigem
último sopro na boca da morte virgem.

Wilson Roberto Nogueira

sábado, outubro 26, 2013


sábado, outubro 19, 2013

vendeta

Perdido entre as dunas sob o sol incremente
 atirando nos fantasmas da consciência
só a sombra testemunha os ecos da vergonha
na mancha da camisa o rubro olho do cadáver.

Wilson Roberto Nogueira
cada frase franze a testa do verbo abrindo sulcos
cicatriz do tempo a germinar rosas entre as pedras.
tateia o tempo o coração da memória
com espinhos a escrever uma nova estória.


Wilson Roberto Nogueira

Belarus


A Belarus dos bosques e pântanos.Um ramo de trigo para dar sorte e o sorriso de uma camponesa para alegrar a vida, seria russa,polonesa ou lituana?Qual a identidade desse povo?Bielo russa,eslava oriental como a fé inabalável na força da terra.
O bobo da aldeia desconcertando com sua sabedoria ingênua os espertos senhores;logo alí arrastando seu pesado casaco negro um judeu cofiando a barba anciã como um patriarca bíblico.
Eis os Flashes de uma Belarus mujique a sorrir para o breve sorriso do sol.
Uma aldeia que se esfumou e tornou-se nuvem no coração dos emigrados.


Wilson Roberto Nogueira

domingo, outubro 06, 2013


Alguns compenetrados, outros vagando pelos quadrantes da sala a consumir o tempo em lenta lenta agonia ou olvidando por completo os insondáveis caminhos das matérias .Outras personas a paisagem do teatro interpretando?Interpretando saberes e seriedades; outras profissionais catando códigos na busca por peneirar pedras preciosas de algum edital.Mais adiante zanzam a procura do que desconhecem, apenas flanando nas veias expostas de cidades imaginárias .Naquele canto alí , a natureza morta dos gestuais de sapiência dos abancados."Oito horas a Biblioteca fechará suas portas . "Os livros ficaram presos e dentro deles leitores fantasmas.Essa catedral não recebe sem tetos e suas correntes de pedras.


Wilson Roberto Nogueira.2009/19/09

quarta-feira, setembro 11, 2013

A  cada dia caía-lhe sobre os ombros pesados casacos de agonia
tão pesados que os passos das horas eram grilhões que apunhalavam
as veias da vontade de ser livre emfim .
Assim provava o sabor de saber-se vivo.

Wilson Roberto Nogueira

Na catedral da catarse

Uma vontade sem braços para erguer a ponte de um sorriso ,
mesmo tendo seus confrades, ébrios de alegria ,tentado a golpes de ariete
arremessado as mais infames piadas .Permaneceu lá no alto de sua sisudez .

Wilson Roberto Nogueira

terça-feira, setembro 10, 2013

Ai de ti Haiti


Séria miséria baça lembrança, herança de grilhões.
Onde estará a luz da tua liberdade,presa na luz
dos teus olhos de enferrujadas baionetas?

A chama da alma presa em oferendas ,trancada na agonia.
Um povo enterrado vivo no esquecimento de estropiados farrapos de pele
de sangue sugado até a última gota pelo sacrossanto dólar.

Dilacerada cada vértebra dessa ilha em ruínas

À sombra do corpo fechado de Tontons-macoutes
terras e rochas,pneus e carne queimada
Fantasmas de ódio que se diluíram no alvorecer de um terremoto.
Manhã de sol que não trouxe esperança só o tremor das entranhas
das belas praias sangrando suas belezas de  criolles naîves.

Diáspora em botes banguelas bebendo água do mar
e saciando a fome de tubarões
guerreiros que fogem do medo se atirando no abismo.
Vinténs de vidas à deriva na vaga de almas espoliadas agarradas
com as garras do desespero a um naco de esperança.

Ai de tí Haiti você está aqui entre nós em nossos corações de trevas.
rindo com os alvos dentes da vingança dilacerando os sonhos da tua raça
de bravos Toussaints e Dessalines mirando as fazendas da Louisiana e mais além
num terrível brado de Liberdade.

Brado que ora se perde no pó de ossos soprados para ressuscitar na utopia chamada Brasil

Brasil pátria embrião mercadoria de aventureiros que se agigantou no sonho para se levantar
no Continente e jamais dormir, deitando sombra em suas feridas e em cujas cicatrizes
corre vermelho o sangue do seu povo de todas as gentes de cá e de ultramar.

Refugiados da desdita que procuraram amparo nos braços abertos da estátua
do American way of live e caíram nos guettos e nas prisões .
desertados pelas ilusões  procuram o calor e a verdade de dias menos açoitantes mais ao sul , no Brasil
evadidos da fome esses ébrios zumbis de introjetadas tiranias, entorpecidos pela superstição e
garroteados pela vilania de assassinos fardados, renascerão feitos de luz ,sentir-se -ão em casa
nessa terra chamada Brasil.

Bem vindos ...

Wilson Roberto Nogueira

Bala Perdida



envolvido até os ossos
na rosa de sangue o olho que nada vê
o coração sangrando na mão
o grito surdo da morte
num clarão de luz.
Na viela escura a bala perdida
pariu mais uma escuridão.


Wilson Roberto Nogueira
fura o olho do sol a ponta do guarda chuva
Sol que sua encasacado de nuvens.

Wilson Roberto Nogueira
Na íris um arco pálido oculta no baú da alma uma íris multi cinzas
mirando o passado esse lugar estrangeiro que se comunica com o presente
num alfabeto repleto de linhas de nanquim apagadas.

Wilson Roberto Nogueira



Que doce é a infância e como é sorvida pela vida.
a infância não é um sorvete mas derrete de alegria

ou perde o sabor

Wilson Roberto Nogueira 
a fome medra o medo enquanto brinca com o eco
coiceando as paredes brancas da abobada de ossos
tamborilando na pele da pobre caveira cavernosa.


Wilson Roberto Nogueira
risonho é o teu altaneiro sonho
expugnado foi o imaginado ideal
interroga a ti tua morada final
na mordida do ósculo ígneo da calçada
no leal olhar do luar a prateada pedra risonha
mera gota de sangue seco na cicatriz da cidade.

Wilson Roberto Nogueira
Os galhos secos sedentos queimam no rubro amanhecer
crepitam na cripta gritos tostados de ira
crispados estalos de ossos caminham quebrando o silêncio
saudando com o sal e pão o cimento das eras
os galhos secos das sombras gigantes deitam chamas dançantes
galhos secos lembranças de heranças de finas folhas de seda negra
beijando o sol nas manhãs vermelhas.


Wilson Roberto Nogueira
a roupa das lembranças guardada na última gaveta
só aquece a ninhada de ratos.

Wilson Roberto Nogueira
O inverno escuro abateu-se sobre a alma
os rigores dos dias cinzas congelam o luto
em pétreos corações
a mórbida moribunda amante presa
na voraz voz das farpas e flechas
dialoga com a morte em prósperas parcelas
de suculentos nacos de amaldiçoados beijos.
Enfim dorme.


Wilson Roberto Nogueira
a alma não ocultara a si diante do opaco espelho das opiniões
o caráter delineara mera sombra no empoeirado espelho
pálida vida velada de luares invernais sobre ruínas que prometiam sonhos
alicerces de nuvens
vidros partidos de janelas que não vêem o branco dos olhos dos dias
parindo da dilacerada visão cores onde apenas bruxuleiam fantasmas
janela aberta ao deserto nos olhos do abismo.


Wilson Roberto Nogueira