quarta-feira, julho 21, 2010

Olhei para dentro dela


e encontrei espelhos quebrados

refletindo

novas tortas imagens


de fotos rasgadas dela própria.



Mais nada


nada.


Wilson Roberto Nogueira
a aprontar a cama

simplesmente sem pressa
deitar dormir sonhar
a poeira dos dias
sementes das eras
a germinar flores idéias
nos sonhos das quimeras
ambrosias.


Wilson Roberto Nogueira

Memória de um morto

Uma busca desenfreada rumo a lugar algum.


Assim começa o inicio do fim. Na esperança do dia finar assassinando qualquer luz. Pulando escuridões como quem salta carniças. Pressa...pressa e os minutos a escorrer, pingando sangue do nariz; olhos secos. Nada dói tanto quanto o tédio. Os urros do silêncio das pastosas horas diante da caixa de vozes estéreis e imagens nulas a sugar o sumo do cérebro, fazendo brotar, verdes sinistros apodrecimentos na lente entorpecida da memória. Acorrentado à gravidade da cama, serena sepultura que chama para o sono sem sonhos, um cálice de morte sabor de miséria e derrota.
"Sirenes soam lá fora!"
"É só a polícia."
"Tiros!"
"É só mais um assassinato."
Nada tem valor para ser guardado para quem não é ninguém.
Pelo menos os vermes e as baratas discordam. Presume-se.
Um prato saboroso na sepultura, madeira podre sem ser de lei. Também, nunca obedecera a norma nenhuma, a nenhuma ética. Só a etílica. Bom, não precisou de formol. Está exposto no Museu Schadenfreudeutsch de Arte Moderna, plastificado por algum artista pós-moderno da pós-arte ou pós-qualquer coisa. O rosto e as entranhas.
(A propósito o ingresso custa 30 Euros, serve uma romena)


Wilson Roberto Nogueira

terça-feira, julho 20, 2010

Com um simples "Tchau " da guria, pensou ter ganho o dia.


Chuva veio, granfina e delicada mas logo caiu em torós pelas escadas do céu.

As idéias dele não se molharam, estavam secas como sempre.

Só aquele tchauzinho como um beijo .

Entregar os fichamentos;esquecera.Esquecia de sí sempre que podia.

Mas o tchauzinho tinha rosto, olhos , lábios e língua...

Deu com a testa no poste e saiu agradecendo.

Um transeunte disse "é doidio sô".Não ouviu.Sorriu

No buraco na sola do sapato; a meia como coador de café,daqueles

da vovó esquentava carinhos úmidos .Uma lágrima nos olhos-

Aquela alma suava à toa.

A alça da bolsa arrebentou e tudo devassou,foram pro ralo os papéis.

Os Lábios dela dão a palavra, verbo divino!

Tropeçou no dente solto da calçada e caiu na rua e um carro comeu uma vida.

Vida ?

Tchau.



Wilson Roberto Nogueira

5 x Favela | clips Cannes 2010 SPECIAL SCREENING Cacau Amaral

segunda-feira, julho 19, 2010

Cai um pingo de tinta


e a palavra se cobre

de mistério.



Nada tema com o trema

não trema com a reforma

da Língua

Ela é carne viva

e não é só portuguesa

brasileira

afrolusobrasilofona

deixem morrer de fome

os cães de pedra da tradição

tais jazem no chão.



só o sombra sabe

onde desabrolhou

feliz Deisi.

Está deisiando olor ali

aqui agora acolá

lelé legal

tri húmus do humor.



Wilson Roberto Nogueira
Sempre procurou refrescar-se na chuva; vestia-se com o agasalho do mormaço e sorria suaves melodias.Deitava em qualquer banco de praça e celebrava boas-vindas com os pássaros matinais.Morreu ali; dias atrás.A cidade com seu cheiro singular demorou para perceber o saco de baratas que um dia já sonhara, vivera,amara. Lá se foi mais um dia na vida de uma sombra na cidadezinha .




Wilson Roberto Nogueira

Pó sobre a estante

Todas as noites ele voltava para aquele mesmo quarto de pensão a reencontrar os móveis velhos e os livros gastos; os jornais carcomidos por notícias de novas notícias velhas, que se repetiam nos telejornais - no estuário da ilusão.


Deitava-se na prisão dos seus sonhos sem luzes, sua cama de colchão mofado e travesseiro babado de salivas de um idioma de sonhos em pedaços a exalar o enfado de seus faroníricos sem poesias - só a ilusão do pó de seus dias.

Levantava-se sempre com o coração soterrado por correntes de aço, as quais não mais sentia, acostumara-se a elas ao peso do barulho ao caminhar.

Ao caminhar molhava a testa enrugada com a água salôbra de sua existência.

Não clamava pela fragorosa flagrância da derrota dos exércitos de pano, diante do fogo de ideais de incêndio nas batalhas dos dias de juventude, que duraram tantos minutos de poeira soprados com o mau- hálito da escória da memória, a escorrer pegajosa no olho da janela.

Tão opaca que a menina morena dos seus olhos, cega, não vira o sol que lhe sorria, e beijava-lhe com uma piscadela para vê-lo uma vez mais a bailar.

Wilson Roberto Nogueira

sexta-feira, julho 16, 2010

O burocrata enfia a janela no jornal

enquanto abaixa a cabeça no lixo


O poder por um minuto para para olhar

e imóvel vela a sorte.


Sobe, pesado, o degrau

sua sombra lhe foge no mármore.

mais um mormaço

sebo nas veias entopem o coração.

Jornal cobre o rosto da repartição


café derramado.


enxame de vidros na colméia de aço

lá fora pesadelos de papel pegam fogo

cinzas sopradas para longe

mais um barraco.

na pedra um enigma

O que quer dizer cidadão ?



Wilson Roberto Nogueira
No horizonte um cisco




cobre de esperanças a escuridão



um viajante ou ilusão ?



Wilson Roberto Nogueira

quinta-feira, julho 15, 2010

Ela voa em meus sonhos


só uma pétala dançando

quando caiu

particula de pele morta

sobre uma poça que um dia

foi o meu coração.

...E mais um trago de vodka

bebo pensando no aroma do chá

saindo do samovar

mas Ela tem gosto de vodka

bebe-se num gole e morre-se

vivendo para sempre.



Wilson Roberto Nogueira
A cada risada uma pedrada


na janela da alma algemada

mas não importava

ela não estava nem ai

nunca esteve

se deteve

nunca a cama a comeu

só ela o meu

ai

não morda!


Wilson Roberto Nogueira

quarta-feira, julho 14, 2010

A pele tremulava estandarte de prazer



brilhava liquida lua enamorada


às mordidas apreciada dama


maré de amores.


Wilson Roberto Nogueira
Descobri a maneira de manter a privacidade na web,essa teia de ruas ensombreadas.É ser muitos e nenhum.Somente as pessoas que me conhecem sabem encontrar a pessoa em meio as personas de orkuts e facebooks da vida.O incógnito cogito de barro ´feito com água salgada que fala e as vezes não diz nada,e só no silêncio conversa com almas de translúcida água nessa secura danada de carbonos ambulantes.




Wilson Roberto Nogueira

terça-feira, julho 13, 2010

Metamorfoses do Pranto

Sempre estivera no olho do furacão a procura do centro vital da destruição, daquela energia feroz que coroava o silêncio com os espinhos da perda e da consternação.

Uma resposta breve à escuridão ; quando de um ovo pombalino nasce um falcão, da lagarta a um peçonhento lagarto enquanto as pombas são servidas em pratos de sopa e as borboletas morrem cozidas ao sol.
Só saía a noite; não tolerava as gentes imundas e o vozerio simiesco das ruas à luz de uma sífilizada ancestral chamada civilização-Anjo decaído da luz nuclear da ocidental arrogancia.
Nas ruas cegas por cicatrizes lia-se à sombra das letras o fascismo do consumismo sem idéias e Glória ao Pai ! sem ismos nem idéias nem ideais, só as sobras dos carnavais onde Pierrôs e Columbinas assaltam e se prostituem para os turistas pedófilos sem culpa no lado de baixo do equador.
A noite voava de bar em bar bebendo pesadelos atrás de algum sonho assanhado chamado amor, o qual sempre lhe custara os cobres de que não dispunha.Solidário com as baratas do bar, jamais as assassinava, mesmo quando elas nadavam no prato de feijão do seu pf; tirava com a colher e as guardava numa manjedoura de guardanapos.
Caía de ébria a manhã de beber o tempo morno daquelas vidas que se arrastavam no vinagre.Um hollmops com cachaça e saía tropeçando no seu próprio caminhar até chegar ao seu gueto no quarto da pensão onde dava licença à morte oferecer sua amostra grátis de sono sem sonhos, remédio vulturino para as chagas da alma.
Acordava depois de visitar os pesadelos de Kafka e acabar em alguma sarjeta de Gaza procurando gaze para algum bebê ferido por algum estilhaço; despertara ali, um enfermeiro de alma enferma que buscara salvação salvando condenados nos campos de refúgiados outrora guerrilheiro do Hamas que ao invés de explodir a si levando consigo inocentes tentava agarrar da morte vidas quase ausentes de almas também inocentes.
Ora era só um urubu israelense que um dia sonhara ser a pomba da paz até ver com os próprios olhos o rosto do martírio a velar seu sol numa rubra noite eclipsando esperanças num tiro em meio a praça.
Não. Ele preferiu acordar , levantar e seguir adiante tomando seu Irish-Coffe com Donnut’s, escrevendo colunas no obscuro jornal sem leitores como qualquer Simpson Silva.

Wilson Roberto Nogueira

segunda-feira, julho 12, 2010

A síntese da sua dor

é o seu sorriso
um fil de sangue
cortando o cristal.


Wilson Roberto Nogueira

domingo, julho 11, 2010

A dor da cor corresponde ao peso das tuas correntes


a rasgar a pele represando o sangue da revolta

até quando rebentar.Rebento negro da história

Diamante em formação

Carvão na máquina do trem fantasma da escravidão.

Wilson Roberto Nogueira

sábado, julho 10, 2010

Olhos presos vivendo dores de outros sem se enxugar. Encardidos de bondade impotente.


Pacatos cidadãos ruminando areias mornas pastam óstias em templos descartáveis.

Wilson Roberto Nogueira
Soprou um jato de gasolina da alma
prum pano sujo da rua .Escuridão.


Sopram fios de fogo de almas geladas
sonhando douradas sagas de incêndios glaciares.

Wilson Roberto Nogueira
Acorrentada à cama


morde mais uma manhã.

É segunda.

Wilson Roberto Nogueira
à Cyrene






O pombo desaprendeu a voar ,

aprendeu com o homem a ANDAR

com os próprios pés bem presos no chão.

Galvanizada raíz de sonhos fossilizados.

Perderam as asas

secaram os sonhos.



Wilson Roberto Nogueira
Ela olha seu reflexo no espelho e vê ruínas helênicas


Ele para ela o cadafalso de seu casamento.

Quase lamenta depois ri da corda que o enforcou

As asas se queimaram

olhos glaciais e coração tropical.

Haja vodka.



Wilson Roberto Nogueira
A morte encontrara uma porta entreaberta; entrara e descobrira sua face na íris do espelho daquela casa vazia. Uma lápide anônima; um ventre sem verbo. Ecos perdidos de amor azinhavrado. A morte sempre esteve lá, no desespero do sexo; nas correntes do grito afogado, na íris velada da janela daquela casa vazia.




Wilson Roberto Nogueira

sexta-feira, julho 09, 2010

Piso nas pedras de seus pesadêlos


mas não me importo

com seus sentimentos nús

plenos de cicatrizes

prefiro vesti-los com grossa

indiferença.

Se fere a fria flecha da verdade

ver-te vertida em pálida vidraça

a espalhar vozes ao vento

toda sofrimento

coalhada de cacos.

Piso-te com os pés nús

E não sinto mais nenhuma dor.

Wilson Roberto Nogueira

quinta-feira, julho 08, 2010

Na geada de teu sentimento

granizos vertendo luas
prateando luzes sem calor
gotículas de ácido
furando o agasalho do amor.

Wilson Roberto Nogueira
http://www.imagens09w.blogspot.com/
A Cada passo a preço apressado da ampulheta


só o passado tão presente

quão engolidora é sua sombra

fria decomposição do futuro

a germinar novas formas em velhas e

encarquilhadas fôrmas de quilhas

de gaLeões naúfrAgos-

Palácios de tubarões .

O desvão da memória passou nova rasteira na mensagem dos rostos,louças frias,porcelanas finas de um brilho que reflete um sol tentando se ocultar,ocultos ficam as frases em frangalhos dos garranchos do tempo-um pó que o vento beija para longe.

Range mau-humoradas as pálpebras cansadas do casarão.Só restara a casca embrulhando a os olhos riscados por riachos de sangue e lágrimas órfãns .

Um fantasma frerta a garrafa vazia de fanta uva ,tonto se embriaga de lembranças gazozas.O único gozo que restara.

Desce as escadas escarrando no corrimão a almadiçoar ser tão ínfimo o passo e tão imensa a labareda do passado a persegui-lo,labareda que consumira sua sombra a voraz companheira que dele desertara.

Um fantasma entre os fantasmas;se pelo menos ele os visse,não apenas à brisa nauseante da

presença do vazio.

Oco ele corre com o vento da tempestade na madrugada do esquecimento-Cimento em sua laje.

Mas na calmaria do deserto bebe sedento a amargura e o ódio por se lembrar tanto do tanto que se negara em viver enquanto vivo Ente estava,apenas existia sem pagar pela vida seu real valor.Existindo ,em parcelas sendo comido,dando vida e alegria a morte ,era ínfima alma irmã do legume e da crocante barata crepitante de calor.

Nas pálpebras do casarão a menina dança a música do coração enquanto o pranto do fantasma é acompanhado dpelo uivo do cão e o gato preto achando tudo divertido que poupa o rato improvisado de joão -bobo,bola de pelos e tripas num saco de pele .

Tudo não é nada além de um sonho azêdo e um refri de cola quente.

Um elefante pensando ser formiga e a formiga não cabendo dentro de sí;uma gazela ocultando uma leoa,e,uma pantera uma ovelha á toa;corujas que são águias;gatas e cadelas,potrancas e corvos crocitando palavrões,além de pavões e sombras indecifráveis de voluptuosas volúveis formas-nuvens de mistério ou fios de chamas perfumadas

Wilson Roberto Nogueira

Oficina literária do Boa Vista-G.K.040807

http://www.escutaciber07.blogspot.com/