sábado, novembro 09, 2013







A suicida

Da janela uivava o vento vagando na noite  a alma acorrentada, que  enfim livre, voava no último sopro
da noite.No espelho do olhar da lua ,a pele qual nuvem de seda chovia ansiando o toque.O  último beijo
no sorriso  do asfalto.

Wilson Roberto Nogueira

terça-feira, novembro 05, 2013

O rasta procurava Jah na fumaça que lhe falava às chamas do coração
Cantava com os pés as melodias dos espíritos entre os cornos da Babilônia
Mas era só névoa e sonho de seu último sono
nas trevas via cores e sentia o beijo da vida na caveira fria
tirava forças nas quebradas de seus pesadelos
sorvia loucura nas taças do pranto
só assim sentia-se vivo sendo sombra que nascia de si um
outro.
Na busca do Eu perdido no labirinto só encontrava a face rasgada da Babilônia
Efêmera fumaça que se dissipava na vertigem
último sopro na boca da morte virgem.

Wilson Roberto Nogueira

sábado, outubro 26, 2013


sábado, outubro 19, 2013

vendeta

Perdido entre as dunas sob o sol incremente
 atirando nos fantasmas da consciência
só a sombra testemunha os ecos da vergonha
na mancha da camisa o rubro olho do cadáver.

Wilson Roberto Nogueira
cada frase franze a testa do verbo abrindo sulcos
cicatriz do tempo a germinar rosas entre as pedras.
tateia o tempo o coração da memória
com espinhos a escrever uma nova estória.


Wilson Roberto Nogueira

Belarus


A Belarus dos bosques e pântanos.Um ramo de trigo para dar sorte e o sorriso de uma camponesa para alegrar a vida, seria russa,polonesa ou lituana?Qual a identidade desse povo?Bielo russa,eslava oriental como a fé inabalável na força da terra.
O bobo da aldeia desconcertando com sua sabedoria ingênua os espertos senhores;logo alí arrastando seu pesado casaco negro um judeu cofiando a barba anciã como um patriarca bíblico.
Eis os Flashes de uma Belarus mujique a sorrir para o breve sorriso do sol.
Uma aldeia que se esfumou e tornou-se nuvem no coração dos emigrados.


Wilson Roberto Nogueira

domingo, outubro 06, 2013


Alguns compenetrados, outros vagando pelos quadrantes da sala a consumir o tempo em lenta lenta agonia ou olvidando por completo os insondáveis caminhos das matérias .Outras personas a paisagem do teatro interpretando?Interpretando saberes e seriedades; outras profissionais catando códigos na busca por peneirar pedras preciosas de algum edital.Mais adiante zanzam a procura do que desconhecem, apenas flanando nas veias expostas de cidades imaginárias .Naquele canto alí , a natureza morta dos gestuais de sapiência dos abancados."Oito horas a Biblioteca fechará suas portas . "Os livros ficaram presos e dentro deles leitores fantasmas.Essa catedral não recebe sem tetos e suas correntes de pedras.


Wilson Roberto Nogueira.2009/19/09

quarta-feira, setembro 11, 2013

A  cada dia caía-lhe sobre os ombros pesados casacos de agonia
tão pesados que os passos das horas eram grilhões que apunhalavam
as veias da vontade de ser livre emfim .
Assim provava o sabor de saber-se vivo.

Wilson Roberto Nogueira

Na catedral da catarse

Uma vontade sem braços para erguer a ponte de um sorriso ,
mesmo tendo seus confrades, ébrios de alegria ,tentado a golpes de ariete
arremessado as mais infames piadas .Permaneceu lá no alto de sua sisudez .

Wilson Roberto Nogueira

terça-feira, setembro 10, 2013

Ai de ti Haiti


Séria miséria baça lembrança, herança de grilhões.
Onde estará a luz da tua liberdade,presa na luz
dos teus olhos de enferrujadas baionetas?

A chama da alma presa em oferendas ,trancada na agonia.
Um povo enterrado vivo no esquecimento de estropiados farrapos de pele
de sangue sugado até a última gota pelo sacrossanto dólar.

Dilacerada cada vértebra dessa ilha em ruínas

À sombra do corpo fechado de Tontons-macoutes
terras e rochas,pneus e carne queimada
Fantasmas de ódio que se diluíram no alvorecer de um terremoto.
Manhã de sol que não trouxe esperança só o tremor das entranhas
das belas praias sangrando suas belezas de  criolles naîves.

Diáspora em botes banguelas bebendo água do mar
e saciando a fome de tubarões
guerreiros que fogem do medo se atirando no abismo.
Vinténs de vidas à deriva na vaga de almas espoliadas agarradas
com as garras do desespero a um naco de esperança.

Ai de tí Haiti você está aqui entre nós em nossos corações de trevas.
rindo com os alvos dentes da vingança dilacerando os sonhos da tua raça
de bravos Toussaints e Dessalines mirando as fazendas da Louisiana e mais além
num terrível brado de Liberdade.

Brado que ora se perde no pó de ossos soprados para ressuscitar na utopia chamada Brasil

Brasil pátria embrião mercadoria de aventureiros que se agigantou no sonho para se levantar
no Continente e jamais dormir, deitando sombra em suas feridas e em cujas cicatrizes
corre vermelho o sangue do seu povo de todas as gentes de cá e de ultramar.

Refugiados da desdita que procuraram amparo nos braços abertos da estátua
do American way of live e caíram nos guettos e nas prisões .
desertados pelas ilusões  procuram o calor e a verdade de dias menos açoitantes mais ao sul , no Brasil
evadidos da fome esses ébrios zumbis de introjetadas tiranias, entorpecidos pela superstição e
garroteados pela vilania de assassinos fardados, renascerão feitos de luz ,sentir-se -ão em casa
nessa terra chamada Brasil.

Bem vindos ...

Wilson Roberto Nogueira

Bala Perdida



envolvido até os ossos
na rosa de sangue o olho que nada vê
o coração sangrando na mão
o grito surdo da morte
num clarão de luz.
Na viela escura a bala perdida
pariu mais uma escuridão.


Wilson Roberto Nogueira
fura o olho do sol a ponta do guarda chuva
Sol que sua encasacado de nuvens.

Wilson Roberto Nogueira
Na íris um arco pálido oculta no baú da alma uma íris multi cinzas
mirando o passado esse lugar estrangeiro que se comunica com o presente
num alfabeto repleto de linhas de nanquim apagadas.

Wilson Roberto Nogueira



Que doce é a infância e como é sorvida pela vida.
a infância não é um sorvete mas derrete de alegria

ou perde o sabor

Wilson Roberto Nogueira 
a fome medra o medo enquanto brinca com o eco
coiceando as paredes brancas da abobada de ossos
tamborilando na pele da pobre caveira cavernosa.


Wilson Roberto Nogueira
risonho é o teu altaneiro sonho
expugnado foi o imaginado ideal
interroga a ti tua morada final
na mordida do ósculo ígneo da calçada
no leal olhar do luar a prateada pedra risonha
mera gota de sangue seco na cicatriz da cidade.

Wilson Roberto Nogueira
Os galhos secos sedentos queimam no rubro amanhecer
crepitam na cripta gritos tostados de ira
crispados estalos de ossos caminham quebrando o silêncio
saudando com o sal e pão o cimento das eras
os galhos secos das sombras gigantes deitam chamas dançantes
galhos secos lembranças de heranças de finas folhas de seda negra
beijando o sol nas manhãs vermelhas.


Wilson Roberto Nogueira
a roupa das lembranças guardada na última gaveta
só aquece a ninhada de ratos.

Wilson Roberto Nogueira
O inverno escuro abateu-se sobre a alma
os rigores dos dias cinzas congelam o luto
em pétreos corações
a mórbida moribunda amante presa
na voraz voz das farpas e flechas
dialoga com a morte em prósperas parcelas
de suculentos nacos de amaldiçoados beijos.
Enfim dorme.


Wilson Roberto Nogueira
a alma não ocultara a si diante do opaco espelho das opiniões
o caráter delineara mera sombra no empoeirado espelho
pálida vida velada de luares invernais sobre ruínas que prometiam sonhos
alicerces de nuvens
vidros partidos de janelas que não vêem o branco dos olhos dos dias
parindo da dilacerada visão cores onde apenas bruxuleiam fantasmas
janela aberta ao deserto nos olhos do abismo.


Wilson Roberto Nogueira

quarta-feira, agosto 28, 2013


sábado, agosto 24, 2013

mau humor


quer morder a sombra mas ela não tem carne
quer correr o cão para pegar o próprio rabo
a partir da sombra deste no chão.
Só mesmo depois de dar-lhe a si próprio
aquela dentada ,que percebe ser parte dele mesmo
aquela sombra atrás de si
mau humor só prejudica o maumorado.
Mourejando a dar sorrisos de cimitarras 
cortam numa mordida si próprio.
Só a sombra sabe na solidão velar
a escuridão do coração .

Wilson Roberto Nogueira

domingo, agosto 18, 2013

Só o que sobrou do sonho é essa sombra no teu olhar
o pesadelo trêmulo no teu caminhar dançarino de demônio risonho
à buscar por algo que a razão não alcança
passos de letras incertas qual chuva de prateados gafanhotos
a afastar garotas abreviadas de sonhos proletários re-mortos
de renascinzas vidas em cada  assassinado ideal de pés de barro na sina
da utopia fênix e a cada revida mais fraco o voo sob o horizonte

Só o que sobrou do sonho é essa sombra no teu olhar
Em cada sonho aliviado de vida brota uma pedra a mirar
a carcaça do abismo no teu olhar é a alma que desaprendeu a dançar
tua seda sua sem amar rasgada com o sabor do sal e do mar
és contudo alva pedra da razão que engoliu as cores do coração.

Wilson Roberto Nogueira

 .

sábado, agosto 17, 2013

cai um pingo de tinta e a palavra emudece de mistério.
na íris da ideia a palavra certa assassina os relâmpagos

Wilson Roberto Nogueira
Cumpre o rito sumário à sombra de uma vida
frutos podres dando cor a relva a esperar madurar nuvens.
Um grito ordinário de dilacerado pano
suspende no cadafalso a morna vida
entranhada de ruínas sob a névoa
vai a arrastar-se subindo cega seu destino
nobre corda para tal mister
dar ao dia a escuridão
vai descalça sobre pregos soltos sondar
o passado beijando amores não nascidos
vai se afogando de vida prenha de pregos
nesses segundos de farpas sídereas
no sorriso da amada
sol efêmero quer eterno que sorri
da noite íntima a cobrir-lhe a eviscerante esperança.


Wilson Roberto Nogueira
não lamenta
não olha para trás
não para
segue avante
voa na voragem
da noite desenha
as curvas das faces da alma
perfis de foice e lua
sua a lembrança moribunda
caminhando nas pegadas das ruas
serpes de luzes traiçoeiras dos autos
último estalo estrondo e silêncio.

Wilson Roberto Nogueira


sábado, julho 27, 2013

Quando o coração sangra se dança.Ele quis com paixão ela compaixão.Cúmplices no silêncio.Chamas negras nos olhos sóis acontecer no pranto dos corpos.Vontades sem braços. Só a areia  que não calça os passos. Sobre-passos  .balas no chão assinam a traição .


Não era de chocolate era Toft de café.



Wilson Roberto Nogueira

terça-feira, julho 23, 2013

sol abraça a dor  abraçando o calor
refulge na alma o olhar solar a aquecer
com tanto amor que jaz adolescer.
Wilson Roberto Nogueira
a arte do amor
num velho provocou
a dor
depois o eterno silêncio
sem cor

Wilson Roberto Nogueira

Guerra

No memento o conhecimento envileceu a cimentar
searas de ossos quebradiços ao som de sereias
que sopram tempestades nas ventas invernais.
Sobre as rubras lágrimas na seara de Marte
quando mais sobram foices caminham crianças
de pés descalços e olhos de abismo
no sonho seco de vinho avinagrado
cegos sóis  nascem frios e a dor não acalenta
de vida os corpos desertores
de vida os corpos ausentes na lida

Wilson Roberto Nogueira

sábado, julho 13, 2013

Risonho era o teu altaneiro sonho a expugnar o que fora cidadela do imaginado ideal.
Interroga-te a ti a Razão ,sua morada final no ósculo ígneo da calçada sob olhar de prata
da cimitarra celeste a corcunda silente e leal  testemunha dessa gota de sangue seco
na cicatriz da anciã prostituta Babilônia.

Wilson Roberto Nogueira

sábado, julho 06, 2013

mordida

Mordera-lhe as vísceras os dentes da angústia.

Wilson Roberto

vida de andante

Ele viu a vida nos olhos negros da noite
que se aproximava para beijar-lhe
na vala comum de seus sonhos.


Wilson Roberto Nogueira

O suor dos dias

O suor dos dias percorriam as cordilheiras sombrias dos amanheceres de náusea.


Wilson Roberto Nogueira

gota

gota de chama pálida caminha entre cicatrizes
ósculo que se abandona ou um gozo que se perde em fumaça.
só uma lágrima numa lagoa negra .


Wilson Roberto Nogueira

A visita

A Morte veio visitar.Bateu na porta e não encontrou viv'alma que a atendesse.
Tinha ido já embora deixando aquela casa uma casca vazia.Móveis empoeirados nas entranhas do esquecimento.
Que a Morte encontre a ti bem vivo;não morra antes dela chegar.


Wilson Roberto Nogueira

terça-feira, julho 02, 2013

O escritor marginal

O escritor marginal tem por ofício a canalha original  comendo merda com um sorriso
sendo torto caminha direito caminha arcado mas altivo seu coração sem preço sem siso
a literatura é o seu caixão que carregas às costas como última morada
é o palacete por isso tão pesado é sua paixão sua amante adorada.
O escritor marginal não se prostitui  as letras são símbolos de sua religião
não se vende a fé no espírito livre que escraviza a razão.

Vida Longa aos ideais dos escritores marginais antes que todos morram de fome !


Wilson Roberto Nogueira

Aquele saco de Estopa


Aquele saco de estopa serviu de abrigo a carne moída que custava de sua vida uma dúzia de horas de chumbo nas costas .Voltava para casa e a morte que lhe emprestava o consolo da curta madrugada ,roubava-lhe do açoite da consciência.Sentia a fome devorar-lhe as vísceras e dava-lhe em troca a certeza de que estava enfim vivo mais um dia.Esse dia de chuva encharcou bandeiras de sangue e palavras de trovão.Caminhei entre árvores mortas muitas décadas minha vida um deserto de areia que me cegara agora a fábrica cemitério de nossos sonhos é NOSSA.

(E toca o hino da Internacional no coração dos espíritos puros sem correntes).

Todos subiram as escadas da utopia para o cadafalso da ideologia.


Wilson Roberto Nogueira