Nasci tragado pela vida
desde então venho deixando
cair minhas cinzas
de efêmera trilha
que o tempo transubstanciará
em esquecimento.
Wilson Roberto Nogueira
sábado, julho 31, 2010
Atravessa a calçada e, num passo apressado, a preço do tempo ,sufoca no garrote invisível da angústia. Corre e quase tropeça , esvai-se a vontade louca num banho de água gelada e suja, some a consciência e urra no tiro da noite. Silencio. Paz. Mais um morto. Nada. Mais uma bala perdida. de onde ,ninguém sabe e alguém quer saber. A vida segue.Antes ele do que eu!Será?
A vida dera-lhe tantos socos , que o tapete de pele de sua face mal servia de testemunha à sua história.
As ruínas não passavam de um monturo onde pele e dentesdesertavam da palidez; a própria face fugia de si ,afogava-se nos poços negros de olhos sem espelho.
O sentimento não mais escorria, escorria apenas a baba bovina no hálito de catacumba . Não mais a provar o néctar na seda úmida de uns lábios de mulher
A carne já não lhe dizia, silenciara a espera dos passos balbuciantes da companheira; deitado e a incaroavel por mais uma noite lhe negara a visita.
sexta-feira, julho 30, 2010
A risada dela rodava no desespero de Ser feliz.
A noite não caía, desabava chumbo grosso
engessava a vontade de sair
Cobria de sorrisos ocultos
o dourado dos dias
uma lembrança agonia
a cada rede a noite vinha
ébria de meias deslembranças
uma noite leitosa que se anuncia
no beco,na viela ou na guria
ou no sorriso dela ao sair do bordel
O céu era um lençol rasgado de um quarto sujo
ali ao lado
no lodo grudado na alma do sorriso de ouro
nas quebradas
a costela partida num adeus .
Wilson Roberto Nogueira
A noite não caía, desabava chumbo grosso
engessava a vontade de sair
Cobria de sorrisos ocultos
o dourado dos dias
uma lembrança agonia
a cada rede a noite vinha
ébria de meias deslembranças
uma noite leitosa que se anuncia
no beco,na viela ou na guria
ou no sorriso dela ao sair do bordel
O céu era um lençol rasgado de um quarto sujo
ali ao lado
no lodo grudado na alma do sorriso de ouro
nas quebradas
a costela partida num adeus .
Wilson Roberto Nogueira
Urubu
pairou quieto sobre a breve vida e bebeu com os olhos de anoitecer
aquela breve chama fenecer
pousou e esperou respeitando o tempo daquela tenra alma se despedir da casca.
Agora sim ,cuidadoso ;chegara o momento de limpar.
Aguarda uma esperança ,que um pouco daquela alma criança,
fique perto do seu coração a rir e leve de si ,peso de sua função.
Wilson Roberto Nogueira
aquela breve chama fenecer
pousou e esperou respeitando o tempo daquela tenra alma se despedir da casca.
Agora sim ,cuidadoso ;chegara o momento de limpar.
Aguarda uma esperança ,que um pouco daquela alma criança,
fique perto do seu coração a rir e leve de si ,peso de sua função.
Wilson Roberto Nogueira
quinta-feira, julho 29, 2010
Muro de seda
O olhar perscruta a intimidade da fechadura e devassa uma imagem.
Uma miragem de um mirar míope.Percorre o não ser contido na idéia,
jogando luz opaca na silhueta sílfede da mentira.Volta para o quarto e
se masturba com a imagem. Sua esposa retorna para o quarto e a cama,
fica plena de vazio.
Wilson Roberto Nogueira
A jovem mãe teve a vida apostrofada ao dar a luz a quem só queria ficar na escuridão;aquela larvinha preferia o conforto das quentes trevas às frias
e barulhentas claridades.Lalá instintivamente fervilhava em vomitar em alguma
privada pública aquele trocinho ,que afugentaria seu ganha pão.Aquela larva voraz a agasalhou de sangue e a cobriu de um frio gostoso que expulsou suas terríveis dores.
Finalmente apaziguada, dormia na sordidez tranquila ,ao lado de sua cria não nascida.
Na companhia dos corvos só as cinzas choraram
lágrimas secas.
O vento sopra pro vazio sombras de não existências.
Wilson Roberto Nogueira
chuva seca antes de cair
molha de tortura a esperança;
quadro trincado no chão
jarra de poeira e teia sobre a mesa.
criança arranha o chão procurando o que comer
os intestinos a devoram com carinho
devagar o cão caminha e lambe sua última gota de suor seco.
A procissão semeia preces no silêncio estéril.
Enquanto na cama o desespero engendra nova criança.
Wilson Roberto Nogueira
molha de tortura a esperança;
quadro trincado no chão
jarra de poeira e teia sobre a mesa.
criança arranha o chão procurando o que comer
os intestinos a devoram com carinho
devagar o cão caminha e lambe sua última gota de suor seco.
A procissão semeia preces no silêncio estéril.
Enquanto na cama o desespero engendra nova criança.
Wilson Roberto Nogueira
Reverbera o verbo liquida alma da pedra deambulando os caminhos sonhados do lago,
gaguejando borbulhas ,afunda sem dramas nem damas sonhando ,nem dores sentindo ,nem alegrias; pedras sentem o vazio só no sonho das nuvens, pedra disfarce do granizo ,gotejante tecido do vento ,véu do dia em tempestade dorme a revolta do lago.Lá no fundo,lá no fundo no fundo ainda resta uma esperança de pescaria.
A pedra afunda sem perceber,sem querer,sem amar,sem sofrer.Só o Sol por vir sonha Poder fantasma falar ,dar a pedra o calor de sentir.
Sou pedralápide apócrifa num lago deserto.
Wilson Roberto Nogueira
quarta-feira, julho 28, 2010
Como era verde o meu val canta o bardo orvalho
com olhos de nuvem.O vale que é fuligem na noite eterna
nas crateras das minas até as copas das chaminés
espirando as vísceras das eras nas florestas de pedras
e pó
dos pulmões das crianças-flores tísicas germinando nas campas.
Vasto céu nú de estrelas,imenso mar sem ilhas.
Wilson Roberto Nogueira
com olhos de nuvem.O vale que é fuligem na noite eterna
nas crateras das minas até as copas das chaminés
espirando as vísceras das eras nas florestas de pedras
e pó
dos pulmões das crianças-flores tísicas germinando nas campas.
Vasto céu nú de estrelas,imenso mar sem ilhas.
Wilson Roberto Nogueira
Mosca flâneur
As moscas dançam, saboreando doces podres; os pombos jogam futebol com migalhas de pão-de-queijo Toca o realejo da memória do aposentado, que chora ao olhar a luz dos olhos da neta sorrirem ,enquanto as moças transam salvando dores de senhores nas quilhas de naúfraga dama da noite à mariposear suicidios de luz e chamas no cachimbo; cérebros viram cinzas arquivos voando em pó na ventania ,o pó voa na ventania e nada resta daquele livro comido pelas traças, só a fumaça ,a fumaça fantasma bruxuleando na dança do efêmero coito com o vento ,respira seu último vício de vida,vida mesmo através das vidraças partidas, de cacos de dores de fragmentos de olhares de uma môsca consumidora de insumos de dores de múltiplos fedores em cada prato de pranto, restos no pûs dos dias, voa vadia a môsca urbana, urfausta cidadã, dançando no tédio da manhã.
Wilson Roberto Nogueira
Zumbem as mensageiras da morte,levando consigo a mortalha do silêncio.
Noite sem sonhos sono eterno.A luz da lua lamacenta a escorrer grudenta
como um relógio de Gaudí.Os números das horas escaparam para o longinquo nada
oceano negro mastigando a lâmina vítrea da opaca vida que deserta na explosão borbulhante de lembranças.
Vida
Zumbem as mensageiras da morte,levando consigo a mortalha do silêncio.
Noite sem sonhos sono eterno.A luz da lua lamacenta a escorrer grudenta
como um relógio de Gaudí.Os números das horas escaparam para o longinquo nada
oceano negro mastigando a lâmina vítrea da opaca Vida .Bóia distante num mar de condenados
sem forças para perseguí-la a nado deixa-se levar
lavando-se enfim.
Wilson Roberto Nogueira
Araucária-100807
Noite sem sonhos sono eterno.A luz da lua lamacenta a escorrer grudenta
como um relógio de Gaudí.Os números das horas escaparam para o longinquo nada
oceano negro mastigando a lâmina vítrea da opaca vida que deserta na explosão borbulhante de lembranças.
Vida
Zumbem as mensageiras da morte,levando consigo a mortalha do silêncio.
Noite sem sonhos sono eterno.A luz da lua lamacenta a escorrer grudenta
como um relógio de Gaudí.Os números das horas escaparam para o longinquo nada
oceano negro mastigando a lâmina vítrea da opaca Vida .Bóia distante num mar de condenados
sem forças para perseguí-la a nado deixa-se levar
lavando-se enfim.
Wilson Roberto Nogueira
Araucária-100807
segunda-feira, julho 26, 2010
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