A agulha risca o disco,
corre a corrida enfarpelada,
faixa por feiche enquanto a
música do tempo não para.
Em cada ferida endoidecida
na epiderme da palavra
uma nova canção jogada fora
da estrada descaminhada
alados fiapos perdidos
libertos para onde ?
fogem do faminto horizonte
horrível multifronte
a agulha amputa a melodia
sub verte o sentimento na desatinação
do desalinho
Ela olha o olho do espelho espera na luz
a menina brilhar enquanto a radiola insiste
em desafiar a agulha que risca na carreira o mel do dia
Ela olha no olho do espelho que a lê menina nos sonhos
da garoa ,o vidro chora ou é a garoa la fora.
a agulha não tem nada ver com isso risca uma nova canção
Ela não ouve mais o coração dormiu
miou o gato e partiu .
Wilson Roberto Nogueira
ê
quarta-feira, outubro 15, 2008
semente de tocaia
Passava a piaçava na rubra terra escaldante
assentando o chão sobre a palavra da palavra
cerrada
dentro do grito da semente ausente centelha
naquele paredão deitado no árido mar do sertão
uma cova rasa calada no anônimato
Uma flechada de fogo perfurou o pulmão
da escrava condição parelha
a moeda mordida ,ouro de tolo
da dignidade exigida
o Cão no papo amarelo descansando à sombra
a espera da vassoura parar de varrer o pó
do pó da terra o pó humano aD'us
o pó sobre o pó do jarro quebrado a sonhar
que o dinheiro é liberdade e o povo não é gado
nem aqui nem na cidade
com os cobres o cobertor é quente no inferno.
Wilson Roberto Nogueira
assentando o chão sobre a palavra da palavra
cerrada
dentro do grito da semente ausente centelha
naquele paredão deitado no árido mar do sertão
uma cova rasa calada no anônimato
Uma flechada de fogo perfurou o pulmão
da escrava condição parelha
a moeda mordida ,ouro de tolo
da dignidade exigida
o Cão no papo amarelo descansando à sombra
a espera da vassoura parar de varrer o pó
do pó da terra o pó humano aD'us
o pó sobre o pó do jarro quebrado a sonhar
que o dinheiro é liberdade e o povo não é gado
nem aqui nem na cidade
com os cobres o cobertor é quente no inferno.
Wilson Roberto Nogueira
sexta-feira, outubro 10, 2008
domovoi
A criança olha para dentro do fogo
que dança no crepitar da lenha,
e se vê ela própria a dançar
de mãos dadas com as chamas do imaginar.
Ela sorri enquanto atira
para animar o baile das labaredas
mais mirrados gravetos.
Mas a festa acabou
quando
a mãe a agarrou
e para longe da lareira
a levou.Protegendo-a
dos diabos ocultos nos fogos dos lares
habitantes das lareiras e fogueiras
esperando por uma mãozinha de criança pro jantar.
A mãe se persignou e diante do Sagrado Ícone orou.
Lá fora o vento cantava uma melodia para a alcatéia
sonhar que estava saciada de sua milenar fome.
Mais uma noite sob o cobertor cinza.
Wilson Roberto Nogueira
que dança no crepitar da lenha,
e se vê ela própria a dançar
de mãos dadas com as chamas do imaginar.
Ela sorri enquanto atira
para animar o baile das labaredas
mais mirrados gravetos.
Mas a festa acabou
quando
a mãe a agarrou
e para longe da lareira
a levou.Protegendo-a
dos diabos ocultos nos fogos dos lares
habitantes das lareiras e fogueiras
esperando por uma mãozinha de criança pro jantar.
A mãe se persignou e diante do Sagrado Ícone orou.
Lá fora o vento cantava uma melodia para a alcatéia
sonhar que estava saciada de sua milenar fome.
Mais uma noite sob o cobertor cinza.
Wilson Roberto Nogueira
quarta-feira, outubro 08, 2008
Traças e Lagartixas
Não encontrei a camiseta listrada, as traças se prenderam nela. Elas se amarram em listras. Vivem à margem e a espreita. São muito cultas e tímidas, não gostam de luzes fugazes. A vida delas é breve, então para que tantas luzes?
Embora elas amem as palavras, as devoram, como umas "alfacinhas" , qual lisboetas da Alfama.
As pessoas só se ocupam delas quando encontram caminhos indesejáveis e "buracos negros " naquele livro tão precioso. Viva os e-books e notebooks ! ? Existem formigas que apreciam o "tempero " dos conduítes e chips.
Quanto aos meus bolsos...
Há muito tempo que elas comeram o fundo dos meus bolsos. Bom, eu nunca tive fundos para depositar, mesmo no raso dos bolsilhos.
Famintas essas leitoras de Flaubert, as vezes flertando com Dostoievsky.Elas não recusam as saborosas letras imortais.Gostavam de nanquim agora qualquer tinta fast-food made in China está servindo.
Naftalina!? Não! Sou contra toda forma de genocídio,não mato uma mosca,quanto mais uma aplicada traça burocrata. Ela só quer um papel,um pano ou uma célula morta,Não é muito.
Até a visita da lagartixa. Agora os passos, os traços da traça estão mudos. Nenhum mistério novo na página do romance, nenhum caminho de ausências nos panos e nos papéis. A fome ficou ágrafa.
A lagartixa fica ali, com sua presença verde mas quando precisa e lhe apetece fica da cor da parede,principalmente quando namora,mas na maior parte do tempo,fica lá no teto,muda, lagarteando perto da lâmpada dando uma de "João Sem- Braço" para comer uma incauta mariposa.Olha para baixo curiosa com as humanas insanidades do escrivinhador, agora sem suas fiéis leitoras, as traças, assassinadas pela sanha insaciável da nova moradora, a qual não lê mas filosofa num estilo... meio zen... meio existencialista,uma observadora do cotidiano...
Wilson Roberto Nogueira
Embora elas amem as palavras, as devoram, como umas "alfacinhas" , qual lisboetas da Alfama.
As pessoas só se ocupam delas quando encontram caminhos indesejáveis e "buracos negros " naquele livro tão precioso. Viva os e-books e notebooks ! ? Existem formigas que apreciam o "tempero " dos conduítes e chips.
Quanto aos meus bolsos...
Há muito tempo que elas comeram o fundo dos meus bolsos. Bom, eu nunca tive fundos para depositar, mesmo no raso dos bolsilhos.
Famintas essas leitoras de Flaubert, as vezes flertando com Dostoievsky.Elas não recusam as saborosas letras imortais.Gostavam de nanquim agora qualquer tinta fast-food made in China está servindo.
Naftalina!? Não! Sou contra toda forma de genocídio,não mato uma mosca,quanto mais uma aplicada traça burocrata. Ela só quer um papel,um pano ou uma célula morta,Não é muito.
Até a visita da lagartixa. Agora os passos, os traços da traça estão mudos. Nenhum mistério novo na página do romance, nenhum caminho de ausências nos panos e nos papéis. A fome ficou ágrafa.
A lagartixa fica ali, com sua presença verde mas quando precisa e lhe apetece fica da cor da parede,principalmente quando namora,mas na maior parte do tempo,fica lá no teto,muda, lagarteando perto da lâmpada dando uma de "João Sem- Braço" para comer uma incauta mariposa.Olha para baixo curiosa com as humanas insanidades do escrivinhador, agora sem suas fiéis leitoras, as traças, assassinadas pela sanha insaciável da nova moradora, a qual não lê mas filosofa num estilo... meio zen... meio existencialista,uma observadora do cotidiano...
Wilson Roberto Nogueira
Deitado no divã divaguei
e no meio da travessia do
delírio cai em mim.
esmagado gozei gazes de
páprika
Cadente como um cometa
riscando arrisquei
o céu prenunciando no prepúcio
da decadência
a ejaculaçõa precoce da abundancia
inútil da esperança
O desespero das asas que perderam os braços
E só os lençóis soluçando viúvas tão tenras
na areia doce de suas pêras.
Para escrever mnha estória na sêda de seu corpo
não logrei legar sequer uma letra sem rasgá-la
na fibra mais delicada de seu perfume.
Wilson Roberto Nogueira
e no meio da travessia do
delírio cai em mim.
esmagado gozei gazes de
páprika
Cadente como um cometa
riscando arrisquei
o céu prenunciando no prepúcio
da decadência
a ejaculaçõa precoce da abundancia
inútil da esperança
O desespero das asas que perderam os braços
E só os lençóis soluçando viúvas tão tenras
na areia doce de suas pêras.
Para escrever mnha estória na sêda de seu corpo
não logrei legar sequer uma letra sem rasgá-la
na fibra mais delicada de seu perfume.
Wilson Roberto Nogueira
encontro de perdidos
A bala insandecida procura um coração generoso de ,uma alma perdida.
Um risco traçando na noite até o ponto final sob o olhar de prata.A única testemunha a lua,
silenciosa amante,velando a última chama no hálito do último beijo.Não há vagas no necrotério-só valas a céu aberto-,mesmo morto continua um sem-teto; aguarda-se que encontre condução,contudo a mercadoria espera.Não tem valor.Não tem fígado,não tem rins,coração imenso-tudo devorado."Caíra a casa " do malandro ( ?) (desde sempre).E quem o encontrou na última esquina do último bar: uma bela bala perdida de uma máquina gringa da mão de um "soldado"de dez anos que atirou para impressionar uma gostosa "cachorra" .
Chove em fim batizando de cachaça e cocaína o esgoto da Babilonia.
Wilson Roberto Nogueira
Um risco traçando na noite até o ponto final sob o olhar de prata.A única testemunha a lua,
silenciosa amante,velando a última chama no hálito do último beijo.Não há vagas no necrotério-só valas a céu aberto-,mesmo morto continua um sem-teto; aguarda-se que encontre condução,contudo a mercadoria espera.Não tem valor.Não tem fígado,não tem rins,coração imenso-tudo devorado."Caíra a casa " do malandro ( ?) (desde sempre).E quem o encontrou na última esquina do último bar: uma bela bala perdida de uma máquina gringa da mão de um "soldado"de dez anos que atirou para impressionar uma gostosa "cachorra" .
Chove em fim batizando de cachaça e cocaína o esgoto da Babilonia.
Wilson Roberto Nogueira
quinta-feira, outubro 02, 2008
Voce
eu que por pouco não sou transparente
apesar de minha solidez aflitiva
filho de todas as razias
eu que por mais um pouco seria invisível
que saio de casa para entrar no mundo
que enxergo, como henrika,
peixes nas poças de chuva
eu que sou um franciscano brutal
que alimento os pombos com parafusos
um relógio onde o tempo se estraga
que nunca superei as drogas
que não venci aquela paixão
que não posso ver uma mesa de cartas
eu que como papel entre
tragos de tinta
que tenho a chave para as praças da cidade
eu que bebo com os cavalos as águas estigiais
que oxido a lua de urina
que construí escadas que vão dar no teto – como
madame winchester –
que inventei janelas inacessíveis
construí mansardas sem alicerces
na mudança meus fantasmas
e uma mitologia de cães cegos
eu que sou esta florescência de miasmas
cuja alegria é uma careta
cujo sangue é de auroras
cujos ossos são de tijolos e a alma
de querosene
meu sonho será apodrecer
exalando música
eu que guardo uma gaivota na traquéia
que tenho cabelos no coração
e rins de diamante
que saio pelas ruas, charanga de calúnias
que vadio as estrelas
que desconfio dos poderes sobrenaturais
da linguagem
e ainda assim digo, grito desesperadamente as coisas
como arrastado por um desacampamento
de ciganos, como se uma guerra (ou uma saudade)
começasse por minha causa
como se um mágico tirasse moedas de minha
boca e as esferográficas guardassem a velha
herança das navalhas ruins,
como se houvesse fios de alta-tensão
entre nossos corpos
eu que vivo o precário vaudeville dos instantes
que aprendi a dar cambalhotas
com os bobos
de shakespeare e os retardados
cujo bom-senso é o estopim da combustão
cujo reino é uma cratera
cuja coroa é o nariz
do palhaço, e o assassinato um ressuscitar-se
eu que sou, às 4:00 da manhã,
a única janela acesa que me intoxico de deus
que perdi a identidade, o ônibus, a graça
e os sisos e o bilhete premiado
e o fio de ariadne,
a lembrança do inferno e do paraíso
e volto para casa sangrando
como quem assobiasse
eu que faço parelhas aos afogados
que sempre quis ser o poeta de tróia
o poeta da boca-de-fumo, o poeta de porta-de-cadeia
o poeta dos obituários, o poeta oficial das alvoradas,
o poeta oficial da vila hauer
e que, ao fim, não sou poeta oficial
nem de mim mesmo
eu que toco trombone
dentro de uma piscina vazia
eu que tenho queimaduras de terceiro grau
por dentro que cato os rebotalhos da cultura materialista
e reciclo
do jeito que dá e não dá
e junco de esperança
todos os impedimentos
eu, exilado do país infinito
que manipulo venenos, que enlouqueço sozinho
um ser fronteiriço
entre azul e precipício
e subo a montanha
como um profeta que engoliu a língua
eu que escovo os dentes
com chuva e maçarico
eu, meu corpo
que tenho a espessura da vida
e o peso exato de minha morte
eu
coluna de fumaça
espelho quando mente
ferragem retorcida
rosto em branco, sem traços (como um edifício ou um anjo
transitório)
minha cara inconfundível
uma palavra
(r
el
âm
pa
g
o) que não acaba nunca
Rodrigo Madeira
apesar de minha solidez aflitiva
filho de todas as razias
eu que por mais um pouco seria invisível
que saio de casa para entrar no mundo
que enxergo, como henrika,
peixes nas poças de chuva
eu que sou um franciscano brutal
que alimento os pombos com parafusos
um relógio onde o tempo se estraga
que nunca superei as drogas
que não venci aquela paixão
que não posso ver uma mesa de cartas
eu que como papel entre
tragos de tinta
que tenho a chave para as praças da cidade
eu que bebo com os cavalos as águas estigiais
que oxido a lua de urina
que construí escadas que vão dar no teto – como
madame winchester –
que inventei janelas inacessíveis
construí mansardas sem alicerces
na mudança meus fantasmas
e uma mitologia de cães cegos
eu que sou esta florescência de miasmas
cuja alegria é uma careta
cujo sangue é de auroras
cujos ossos são de tijolos e a alma
de querosene
meu sonho será apodrecer
exalando música
eu que guardo uma gaivota na traquéia
que tenho cabelos no coração
e rins de diamante
que saio pelas ruas, charanga de calúnias
que vadio as estrelas
que desconfio dos poderes sobrenaturais
da linguagem
e ainda assim digo, grito desesperadamente as coisas
como arrastado por um desacampamento
de ciganos, como se uma guerra (ou uma saudade)
começasse por minha causa
como se um mágico tirasse moedas de minha
boca e as esferográficas guardassem a velha
herança das navalhas ruins,
como se houvesse fios de alta-tensão
entre nossos corpos
eu que vivo o precário vaudeville dos instantes
que aprendi a dar cambalhotas
com os bobos
de shakespeare e os retardados
cujo bom-senso é o estopim da combustão
cujo reino é uma cratera
cuja coroa é o nariz
do palhaço, e o assassinato um ressuscitar-se
eu que sou, às 4:00 da manhã,
a única janela acesa que me intoxico de deus
que perdi a identidade, o ônibus, a graça
e os sisos e o bilhete premiado
e o fio de ariadne,
a lembrança do inferno e do paraíso
e volto para casa sangrando
como quem assobiasse
eu que faço parelhas aos afogados
que sempre quis ser o poeta de tróia
o poeta da boca-de-fumo, o poeta de porta-de-cadeia
o poeta dos obituários, o poeta oficial das alvoradas,
o poeta oficial da vila hauer
e que, ao fim, não sou poeta oficial
nem de mim mesmo
eu que toco trombone
dentro de uma piscina vazia
eu que tenho queimaduras de terceiro grau
por dentro que cato os rebotalhos da cultura materialista
e reciclo
do jeito que dá e não dá
e junco de esperança
todos os impedimentos
eu, exilado do país infinito
que manipulo venenos, que enlouqueço sozinho
um ser fronteiriço
entre azul e precipício
e subo a montanha
como um profeta que engoliu a língua
eu que escovo os dentes
com chuva e maçarico
eu, meu corpo
que tenho a espessura da vida
e o peso exato de minha morte
eu
coluna de fumaça
espelho quando mente
ferragem retorcida
rosto em branco, sem traços (como um edifício ou um anjo
transitório)
minha cara inconfundível
uma palavra
(r
el
âm
pa
g
o) que não acaba nunca
Rodrigo Madeira
quarta-feira, outubro 01, 2008
celeste em tarde nascer
sequestrei o sol do teu sorriso,
o escondi e dele me alimentei
quando voltei para sugar
silêncioso, mais do teu calor
encontrei tua alma
com um sorriso sem dentes.
um estreito riacho sem pedras
preciosas
seus olhos, azulescência pura,
eram agora o fundo de um lago
sem o soul da sereia que dançava
em ti.sequestrei o sol da sua alma
agora escravo
vago condenado
assassino da tua luz.
Wilson Roberto Nogueira
o escondi e dele me alimentei
quando voltei para sugar
silêncioso, mais do teu calor
encontrei tua alma
com um sorriso sem dentes.
um estreito riacho sem pedras
preciosas
seus olhos, azulescência pura,
eram agora o fundo de um lago
sem o soul da sereia que dançava
em ti.sequestrei o sol da sua alma
agora escravo
vago condenado
assassino da tua luz.
Wilson Roberto Nogueira
O Guardião das Horas
Não sou feito de aço,
eu enferrujo, por isso evito ventos fortes
lágrimas à toa.
Como da primeira vez.
Pareço feito de areia,
então escorreguei por entre seus dedos.
Mas foi a última vez.
Sou um bandido alado, impreciso,
roubo a substância do abstrato.
Me comunico em
panfletos colados nos postes, cartazes nos tapumes,
muros piccahdos, estampas de camiseta,
adesivo de carro.
Tenho apenas cincosentidos,
todos voltados para a contra-mão,
e mesmo assim reconheceria a sua voz até no inferno.
Eu viajei vezes e vezes por você
sempre um segundo atrasado
leve, leve, leve e esperei...
as 7 voltas nas muralhas de Jericó
os 3 dias pela ressureição
os cem anos de guerra e solidão
os nove meses no ventre da tua mãe
mas somente aprendi as leis do tempo
quando li as linhas da tua mão.
A poesia não espera pela inspiração
o amor não espera amadurecer
a dor não espera o perdão
a fome não espera a sede
a vida não espera o fim do expediente
o sol nunca espera pela lua
e eu não espero mais por você.
Luiz Belmiro Teixeira
Menção honrosa prêmio Helena kolody de Poesia 2007
eu enferrujo, por isso evito ventos fortes
lágrimas à toa.
Como da primeira vez.
Pareço feito de areia,
então escorreguei por entre seus dedos.
Mas foi a última vez.
Sou um bandido alado, impreciso,
roubo a substância do abstrato.
Me comunico em
panfletos colados nos postes, cartazes nos tapumes,
muros piccahdos, estampas de camiseta,
adesivo de carro.
Tenho apenas cincosentidos,
todos voltados para a contra-mão,
e mesmo assim reconheceria a sua voz até no inferno.
Eu viajei vezes e vezes por você
sempre um segundo atrasado
leve, leve, leve e esperei...
as 7 voltas nas muralhas de Jericó
os 3 dias pela ressureição
os cem anos de guerra e solidão
os nove meses no ventre da tua mãe
mas somente aprendi as leis do tempo
quando li as linhas da tua mão.
A poesia não espera pela inspiração
o amor não espera amadurecer
a dor não espera o perdão
a fome não espera a sede
a vida não espera o fim do expediente
o sol nunca espera pela lua
e eu não espero mais por você.
Luiz Belmiro Teixeira
Menção honrosa prêmio Helena kolody de Poesia 2007
quarta-feira, setembro 24, 2008
Nas beiras da banalidade
Nas beiras da banalidade gente
que morre espancada faz parte
da paisagem da cidade
A miséria é equipamento cultural
da selva do turismo social e sexual.
A beira do abismo a fera pára
mostra os dentes do desespero
e a mortalha encobre os escombros
dos vultos que votam
dos vultos que vagam ganindo de fome
à mendigar dignidade em orações encharcadas
nas escadas dos templos.
A fé é um artigo muito caro
porque todos procuram
nas lojinhas das Igrejas onde o Cristo foi despejado.
Ele não atendia aos requisitos do Deus Mercado.
Wilson Roberto Nogueira
depois da tempestade
Ela deu um pito no pato que pateara o tablado,espalhando aquela areiazinha de ração na grama do galinheiro.
O galo galhofeiro cacarejou até ficar gago ,cantou a coroca Candoca-um galho feio que de susto ,pipocara ovo aflito .Que dormirá na frigideira.
Enquanto a nuvem fria ,parideira de tempestades ,postada como beldade ,esperava o galanteio da noite...
Na manhã seguinte o galo não cantou.
Contudo galinhas patos,gansos e pintinhos estavam livres,nem sinal de insumos das fábricas humanas os quais jaziam sob os escombros da Casagrande.
Wilson Roberto Nogueira
O galo galhofeiro cacarejou até ficar gago ,cantou a coroca Candoca-um galho feio que de susto ,pipocara ovo aflito .Que dormirá na frigideira.
Enquanto a nuvem fria ,parideira de tempestades ,postada como beldade ,esperava o galanteio da noite...
Na manhã seguinte o galo não cantou.
Contudo galinhas patos,gansos e pintinhos estavam livres,nem sinal de insumos das fábricas humanas os quais jaziam sob os escombros da Casagrande.
Wilson Roberto Nogueira
quarta-feira, setembro 17, 2008
sexta-feira, setembro 12, 2008
quinta-feira, setembro 11, 2008
Feras verazes
Na busca da verdade os caminhos de muita luz cegam as passadas,escondem as encruzilhadas.As certezas colocam cangas na reflexão.Os senhores absolutos da verdade escondem o rosto na máscara envernizada velando as pustulas do vício no porejar retórico da emoção acorrentada a mistificação do poder.
O útero gerador da rocha. o dogma soterrando almas enquanto cascalha hinos de louvor e salvação .Onde está o Verbo?não nas pálavras dos palácios construídos sobre os ossos dos cordeiros devorados.De toda verdade manifestada na fé dos poderosos sopradas ao vento apagaram o fogo da liberdade e do amor,restando os chacais do ódio ,o rancor e a fome devorando de doenças os escombros que se abandonam nas calçadas.
O sal da terra o tempêro mais forte da verdade espalhado sob os quatro cantos da escuridão hurram maldiçõesà beira do abismo enquanto chacais tomam sopas de ouro no palácio das luzes.
Wilson Roberto Nogueira
O útero gerador da rocha. o dogma soterrando almas enquanto cascalha hinos de louvor e salvação .Onde está o Verbo?não nas pálavras dos palácios construídos sobre os ossos dos cordeiros devorados.De toda verdade manifestada na fé dos poderosos sopradas ao vento apagaram o fogo da liberdade e do amor,restando os chacais do ódio ,o rancor e a fome devorando de doenças os escombros que se abandonam nas calçadas.
O sal da terra o tempêro mais forte da verdade espalhado sob os quatro cantos da escuridão hurram maldiçõesà beira do abismo enquanto chacais tomam sopas de ouro no palácio das luzes.
Wilson Roberto Nogueira
quarta-feira, setembro 10, 2008
quinta-feira, agosto 28, 2008
quarta-feira, agosto 27, 2008
Na praça uma prece
pensa e logo esquece
Na lagoa de sangue
lágrimas de gente à toa.
A praça sangra na noite nua
quando desperta sonha que é uma vítima nua
Uma virgem no vitral da igreja apedrejada
Andrajos cobrem as almas na prece da praça
Em cada pedra um drama aliviado na lama
uma moeda mordida na vida sem guarida.
dorme e voa para longe acorda do sonho parida
de luz á brilhar na fonte na fronte da água
pensa o menino descalço sonhando em 'sê dotô'
água
água na praça é esperança de graça
a noite uma moeda por uma graça
na praça
uma praça...
Wilson Roberto Nogueira
pensa e logo esquece
Na lagoa de sangue
lágrimas de gente à toa.
A praça sangra na noite nua
quando desperta sonha que é uma vítima nua
Uma virgem no vitral da igreja apedrejada
Andrajos cobrem as almas na prece da praça
Em cada pedra um drama aliviado na lama
uma moeda mordida na vida sem guarida.
dorme e voa para longe acorda do sonho parida
de luz á brilhar na fonte na fronte da água
pensa o menino descalço sonhando em 'sê dotô'
água
água na praça é esperança de graça
a noite uma moeda por uma graça
na praça
uma praça...
Wilson Roberto Nogueira
sexta-feira, agosto 22, 2008
quarta-feira, agosto 20, 2008
neve negra
Queima o clamor no pulmão ,ferve no coração a chama, chovem punhais penetrando na prole da revolta e solta o Sol da esperança.
Das correntes de elos quais tentáculos de feras - pesadêlos de todas as eras, as guerras a fome e a miséria. Queima o clamor no pulmão, uma pluma de sonho no incêndio da razão, incêndio na Floresta Negra a expulsar lôbos em metálico desespero, a invadir aldeias, feras famintas ,almas perdidas na lama a perscrutar na treva a semente da luz.
Ferve no coração a chama ,chama negra borbulhando borboletas de fogo ,chama a voz do bater de asas de sêda da borboleta á queimar da seiva ácida no pulmão de ramos finos da selva da tua alma ,fumaça densa vela a tua cidadela em ruidosas ruínas no luto de tantas guerras.
Teus olhos crepitam fome de justiça diante da soberba miséria .
Voa alto o falcão com os olhos famintos pelo vale perdido dos sonhos órfãos.
Wilson Roberto Nogueira
Das correntes de elos quais tentáculos de feras - pesadêlos de todas as eras, as guerras a fome e a miséria. Queima o clamor no pulmão, uma pluma de sonho no incêndio da razão, incêndio na Floresta Negra a expulsar lôbos em metálico desespero, a invadir aldeias, feras famintas ,almas perdidas na lama a perscrutar na treva a semente da luz.
Ferve no coração a chama ,chama negra borbulhando borboletas de fogo ,chama a voz do bater de asas de sêda da borboleta á queimar da seiva ácida no pulmão de ramos finos da selva da tua alma ,fumaça densa vela a tua cidadela em ruidosas ruínas no luto de tantas guerras.
Teus olhos crepitam fome de justiça diante da soberba miséria .
Voa alto o falcão com os olhos famintos pelo vale perdido dos sonhos órfãos.
Wilson Roberto Nogueira
terça-feira, agosto 19, 2008
Sombras da Paz
Uma gota de sonho sonda com o olho da alma
a fechadura do baú de ossos.
Sus-piram pesadêlos
a pensar no ato de atentar ,
de ator-doar ab utres.
Por um trís tropeçam segredos nos penha ascos.
Em baixo choram bosques denegras árvores
onde um dia sorriu uma aldeia.
Sonham os fantasmas com os parques;
rolam como bolas de football nos pés das crianças.
Uma gôta de sonho desperta no olar obliquo do gato preto,
única testemunha do Ceifeiro.
Wilson Roberto Nogueira
a fechadura do baú de ossos.
Sus-piram pesadêlos
a pensar no ato de atentar ,
de ator-doar ab utres.
Por um trís tropeçam segredos nos penha ascos.
Em baixo choram bosques denegras árvores
onde um dia sorriu uma aldeia.
Sonham os fantasmas com os parques;
rolam como bolas de football nos pés das crianças.
Uma gôta de sonho desperta no olar obliquo do gato preto,
única testemunha do Ceifeiro.
Wilson Roberto Nogueira
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