quinta-feira, janeiro 15, 2009

Olha pro céu que fuma cadáveres
sobre as telhas que restam
A mão de mulher segura o que não vê
sem o verbo da vida a morte tenta poesia
caminhando sobre restos humanos os pés
ultrajados das crianças enlameadas de fome
pés de crianças dribladas infâncias
sorrisos abertos à lâmina de punhais
soldados visceras vorazes da guerra
sorriem dentes genocidas.
a sombra dos aviões sobre o espelho das lápides
que já não mais revelam seus nomes
A Paz dos Cemitérios profanada no despejo de seus moradores.
Chuva de ossos na colheita das oliveiras
seus frutos ainda sangram lágrimas de esperança
de morrerem para viverem melhor vida
no existir para alimento de gritos o chicote dos dias
onde os vivos caminham entre os mortos
tropeçando em seus ancestrais.
Paz dos Cemitérios para o Gueto de Gaza

Wilson Roberto Nogueira

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