terça-feira, agosto 31, 2010

Poeira nos olhos


cegueira passageira acordando a visão.

livrando por instantes dos antolhos das imagens.

Grito ferindo as pedras brilhantes velando o vidro

das aparências nos cristais das sensações sutis da alma.

Pausa para ouvir o silêncio.Breve pó dos dias.

Wilson Roberto Nogueira
O que sobra ?

A sombra.
era só um graveto...
pensando ser árvore.

Wilson Roberto Nogueira
A guerra agarra a garganta como gárgula,


devora a paz e volta para o alto das catedrais,

onde espreita imóvel para em outras trevas

na távola dos desenganos novos banquetes provar.


Wilson Roberto Nogueira

segunda-feira, agosto 30, 2010

Cidade Vigiada

http://www.fotoclubef508.wordpress.com/
Querer falar

Saber calar

querer saber



saber caminhar


sem nunca chegar



pés mudos



pegadas gritam


onde o eco se perde



procurando estrelas



voar.


Preso na terra

garrote das eras

breves sonhos

sondam o espaço

enquanto afunda

afunda na água morna


vida morna

já não mais vida.


livre enfim...


Wilson Roberto Nogueira
A vida é um presságio


cobra ágio

da alma que nela não mergulha.

A vida é uma agulha cujo olho um lago olha.

Cega a lua vida que bebe de si o fel .



Wilson Roberto Nogueira
Rondam a casa sombras bravias

E o vento tentando entrar para se aquecer
nos ossos trêmulos do velho a conversar
com a posteridade ofertada pelo vulto de negro
Viver na lembrança dos netos se deixar
se deixar levar pelas sombras bravias
sombras a puxar o último trenó.
Lobos descarnados sobre a neve.

Morreu
na lembrança dos netos quando o sol brilhava em seu rosto.
Há muitos anos sonhava pelo calor da última neve dos seus invernos
Foi brindado enfim...



Wilson Roberto Nogueira
Só uma gaivota voando só

sonhava
viajava ao sabor salgado
do mar azul.
Peixes prateados
espelho do sol a alimentar
de luz as asas do pensamento.



Wilson Roberto Nogueira
: Algumas tribos são de paz outras não,mas é um interessante zoológico
: na volta escultar os mano mandar falar naturalmente de assaltos e tóxicos é hilário os atendentes do tubo também tem lá seus recados; sem contar as prostitutas, travecos e ...
conheci uma trabalhadora de 16 anos ,casada e com uma filhinha
a urbe pulsa suas dores na madrugada e não tem tempo para sangrar
vive no fio da idéia de viver e só
mas que o pessoal da noite é sem noção em sua maioria, embora contraditoriamente sejam trabalhadores e outros do que o pessoal da manhã
Só o sombra sabe... a sombra que se oculta em nós- sai dos nossos olhos e absorve a noite dos nossos dias; nunca vi noite tão bela do que a lua sorridente dos olhos daquela jovem mãe proletária e fortaleza em seu frágil corpo de criança abreviada
Mas uma boa parte da madrugada é alma sebosa,é só folgar e plá não é?
É só decifrar o signo da violência, uns represam e administram outros transbordam e àqueles que simplesmente morrem; morrer é tão banal quanto a letra de um convite torto
ver com os olhos de quem viu estampados na miséria comum, da sarjeta .



Wilson Roberto Nogueira
Aquela pedra bebeu o grito na escrita da história,

calada, continua cúmplice do homem
desde o proto humano a esmagar o crânio do irmão.
Estará lá quando os viajantes das estrelas forem metamorfoseados em pó de estrelas.
Pois somos só memória do Sol, um cisco fóssil que ainda brilha no sonho das luzes dos olhos teus.



Wilson Roberto Nogueira

sábado, agosto 28, 2010

Caminhadas

Quando se envelhece devemos retomar da memória do coração, imagens do que poderia ter sido e, a partir da pele do que foi ,extrair um pouco de sobre-vida ao que nos torna humanos.seres passionais com sonhos de luz.


Embora isso leve a uma rua escura e sem saída; onde o açoite da tempestade seja uma carícia possível.

Silva não tem esse problema.Vai ao Bataclã e não se importa em ter que pagar por isso.Que traste envilecido!Caso ele se importasse...é apenas medíocre.

Olha as árvores e se vê enforcado em seus galhos aos quais poderiam ter nascido novas folhas, mas folhas são batidas para longe

com o vento...então tudo volta ao nada e os ventos sopram novas folhas para perto de alguém ou sobre os restos de outras folhas.



Wilson Roberto Nogueira

Alforria canina

Está ali como sempre, veja... o cão guardando o mendigo que, de tão bêbado foi dar uma visitinha à comadre de preto. Fica-se por lá; saco de baratas. E o cão ali, rosnando para quem chega-se muito perto daquele que, ao acordar, como gratidão lhe chutaria ou lhe jogaria algum pedregulho. Aquele fidelíssimo protetor não sabia que seu dono, várias vezes sonhara que preparava um ensopado com sua carne. Nesses dias ele parava de chutá-lo e dava-lhe as melhores partes dos restos que encontrava no aterro. Até que um dia foi beber água do riozinho moribundo e teve um troço, não deve ter sido a água de cor de uísque envelhecido doze anos e com gosto de puta que não pode se aposentar. Todas as suas pústulas acordaram em prantos pútridos. Caiu babando sabão Omo ou sabe-se lá o quê. E o cão depois de tantos anos chegou-se a ele, levantou com esforço uma das patas e irrigou o rosto do dono.




Wilson Roberto Nogueira



Desfile Sertanejo.

Salvador . Bahia. 1950

sexta-feira, agosto 27, 2010

twittar


facebook


orkut


tantas teias


que eu não consigo te chegar


te abraço no éter


eterna invisibilidade

teu cheiro


tua pele



imagem congelada



sonho dourado da memória



carcere da juventude



nossas faces não envelhecerão num beijo.



só essa janela de luzes



única esperança



embora fria.



Quer dois olhos fritos ?




Wilson Roberto Nogueira
Dentro dessas grades repousam em turbilhão, vinte e cinco anos de perguntas que jamais serão respondidas nos olhares que emudeceram. Calabouço de sonhos que morreram á mingua.

Lá vem a irmã da minha mãe oferecer-me um pão duro e o meu tio um sonoro "passa-fora cachaceiro" !Sai junto com um lençol espesso de chuva para me cobrir de esquecimento.


Wilson Roberto Nogueira

quarta-feira, agosto 25, 2010

Russalki

Só a mente derruba ou levanta


só a vida tira a vida

a morte a coloca no lugar

do recomeço

tudo flui.

Está chovendo lá fora

na árvore uma forca

o passado reclama

o vento bate e as folhas...

assim é...

práticos somos...

condenados a sermos amigos.



Wilson Roberto Nogueira

The Man With The Movie Camera (1929)

Agora eu aguardo a água;sentir sede queima.

Mata a minha sede Senhor...ou me mata.

Abre o céu para beber Severino.

Lá chegando encontrou ninguém,

só uma sede que era tal qual tocha

avoante em seu peito de pedra.



Wilson Roberto Nogueira

Poeira

Numa praça de madrugada,garoa e temperatura abaixo de zero]


-Tio, tem um teto pra eu pousar, só hoje, por favor...!

-...desculpe ,estou atrasado, saia da frente.

[Pressa(?)]

Chega o 'atarefado' burguês no cubículo onde morava.O Sol pela estreita janela não entrava, só os muros da oficina puderam testemunhar o seu último sopro, a soprar poeira e ali ficou ,ficou.Ninguém reclamou seu cadáver só do seu mal-cheiro.

Nem ele sabia que havia morrido meses antes, aos poucos a cada dia de pressa e sordidez.



Wilson Roberto Nogueira

Burocrata

O burocrata enfia a janela no jornal


enquanto abaixa a cabeça na fila.

O poder pára para olhar e, imóvel pesa

e prega sua imagem

e escala a escada de ossos e sonhos.

sob sua sola só a sujeira e pós

pós sonhos

pós pegadas

pós cegas jornadas...



Wilson Roberto Nogueira

domingo, agosto 22, 2010

Roberto Alagna sings "E Lucevan Le Stelle"

O maior inimigo da minha felicidade sou eu mesmo.

Por mais que eu lute para escapar de seu jugo
não consigo e fujo Para,como um covarde, esconder-me
temo não poder vencer aquilo que no espírito arde a areia da vida.
corro procurando abrigo numa toca e a vida de tocaia fere-me , me deixa sem guarida
acabado e aterrorizado na poeira que me sufoca corro e por mais que eu corra permaneço . Assistindo a paisagem se alterar até o negror sugar o céu.
Descem na garganta pequenas pedras pesadas rasgando de luz o inferno da dor; soterrando o coração e envergando a espinha. Lâminas cortam o céu da boca que calada sangra; temendo gritar , uivam no silêncio à prateada lua a luzir tanto ,que chega a cegar.
Levanto tanto e de tanto caminhar caio e sinto, na lama ,que apodreço.
Padeço não mais . Acho que mereço. Sonho que despreza o pesadelo agora na calma que arvora.
Não mais sinto medo. Não mais sinto apreço
o preço que paguei não foi pouco: Que chamem a mim de louco
Louvo a prece do louva-"adeus" a minha cabeça está lá ,nos braços dela
alegre donzela.

Wilson Roberto Nogueira

sexta-feira, agosto 20, 2010

Breve beijo jogado noutro beijo


jogo de línguas acariciando jóias

de carne e sumo de almas em desespero

de desistir do desatino de viver

no verso de vidro da solidão.



Lá fora a multidão de olhos mudos



chovendo silêncios

de adagas



Wilson Roberto Nogueira
Eles esperam no escroto o esperma por mais uma chance de chegar



e depois dormir.dormir na esfera enxame de chamas.

correr como fios na escaldante correnteza até o sol.

Sonhar com o mar intenso e profundo

morrer

e por fim germinar.

Germinar para povoar de nervos , sangue e alma

esperança de sonho tornado cosmo de carne e estrelas.

Wilson Roberto Nogueira
Tapete de águas


no varal das nuvens

Estalam os passos

Wilson Roberto Nogueira
Tu compras a roupas dos gostos dos outros.


A tua persona é manufatura coletiva. Bebo

a bebida ou a bebida me bebe o fígado?

Fumo ou a fumaça fuma-me os pulmões?

Embriagado na ilusão da imagem distorcida,

perdida na fumaça do prazer fugaz

- Quem tu és diante do espelho?

máscara de cêra da sociedade seletiva.

Civilização do disfarce

Pasteurizada estória insípida

água sensata do senso comum de mentiras repetidas

 paridas de bom-senso burguês.


Feliz fumaça da urbe insolente

indolentemente deitada em suas certezas


doente de dogmas amassados

pão-velho. Pro pobre não tem não

Só o sermão neoliberal Burguês

bebido pela bebida dos dias cinzas

Feliz pastando na mediocridade

civilização em coma

fumando a fumaça dos escapamentos

e expulsando fumantes assassinos

Feliz espelho das ilusões onde repousam

todas as máscaras.

Wilson Roberto Nogueira
Como um fantasma vaga na epiderme da poesia ,a qual é a própria alma sem fronteiras.


Vaga na tapeçaria de nervos da urbe como um halo úmido a treva a diluir cores no vazio

invisível investida no metal embaçando os olhos das moradas , sondando no silêncio o grito



a espalhar nas ausências credos mudos em outras almas que saltam dos ossos


Como um fantasma vaga na epiderme da poesia oculto no esgoto

logo ali alimentando o lixo que escorre quente no canto apodrecido das bocas de lobo

das bocas de fumo

das bocas desdentadas em carne ainda viva.



Wilson Roberto Nogueira
Sonhou com teu sonho comprado à um real.


Azedaram juntos ao acordar no sonho

a nata dos dias nos azedos amanheceres.

Nos olhares o recheio da alma aguardava

mais uma noite para provar outros sabores

em sonhos desejados, doces, e sempre amaros amores

amargos tornavam a morder o paladar

a espera da dádiva um beijo no olhar

sobrou o licor da saliva

no crepúsculo dos pardais

dançaram as moscas

sobre o sabor de seus dias.

Wilson Roberto Nogueira jr
Os olhos dela grávidos de amor.


Ele cego.

Fez parirem só as sombras,

Uma morte vívida por

muitos e muitos muros de secas folhas.

Wilson Roberto Nogueira

Maria Candelária

quarta-feira, agosto 18, 2010

A vida ávida dama ,cobriu-se de nudez sem ser notada e se desfez


sem drama dentro dele



dentro dele cresceu grama.



uma sepultura de si andando por aí sem lápide e sem história.



rosto sem memória que fala cicatrizes de outros.



Wilson Roberto Nogueira

segunda-feira, agosto 16, 2010

O verde sorvido


O véu pluvio na face

a lembrança da vida acordando na manhã

Os ossos sonolentos

O corpo entorpecido se arrepia

Estalam,rangem, vibram se iluminam

de frio

Os lábios irrigados com a água que escorre

do nariz em carne viva.

Inverno tu chegastes,seja bem vindo!

Mas uma alma veranizada é sempre Solícida.

Wilson Roberto Nogueira
Ente etéreo flanando na névoa


estou fantasma de mim

o vento a vida me leva

as vezes sou eu que a sopra

para longe...

"Como era verde o meu vale "

Nada

como a cova que se abre

às nossas passadas

ditando o destino do nosso

derradeiro suspirar

Nada como a anciandade...

Wilson Roberto Nogueira

domingo, agosto 15, 2010

O pombo desaprendeu o valor de voar


aprendeu na prisão do homem a caminhar

ruminando correntes

caminhando com as garras enraizadas entre as pedras.

Perderam as asas os pássaros,

pássaros solitários

arremedos do homem sem sonhos,

sem sombras sem sal sem sol,

só caminhantes do perpétuo presente,

tateando cegos alguma semente

de vida e de sonho, de utopia

para mastigar e defecar

nas camisas negras das sombras

humanas

Wilson Roberto Nogueira