sábado, outubro 16, 2010

Meu irmão negro, não diga que um branco pobre não sofre a mesma dor, a dor de ser sempre um imundo por mais alva esteja as roupas puídas. Sempre estará exalando o olor dos esgotos. Por mais fome passe para comprar o sabão. O escarro na porta da pensão. As portas batendo de ódio, pessoas despossuídas e tão esvaziadas de dignidade quanto. Alcatéias de chacais e hienas brancas e negras. A noite todos a eructar em sua face à despejar o lodo no espelhar. Olhares de nojo e pena navalham. E pensar que do espelho daqueles olhos, olhei a sombra arquejada do reflexo. "Nada do que é humano me é estranho"


Qual o valor que neste mercado tem oferta ? Tanto quanto a demanda exige. Encontrar a fuga no caminho a viagem roleta- russa já não me pertenço. Quão jamais me pertenci.

Meu irmão negro , embora sua cicatriz seja tão profunda quanto a inscrita na tua pele Testemunha e herança. Herdamos nós mestiços de não sei quantos sangues a maldição de sermos bastardos desidentificados sem rosto nem pátria ou mátria vomitados direto no moedor de carne renascidos em cada gota de sangue semeados na sarjeta em cada pedaço de corpo maná amaldiçoado da miséria efeitos colaterais da concentração da riqueza.

Wilson Roberto Nogueira. 2005..............Curitiba

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