sábado, outubro 30, 2010

A última con sorte ?

A vida dera-lhe tantos socos , que o tapete de pele de sua face


mal servia de testemunha à sua história.

As ruínas não passavam de um monturo onde pele e dentes

desertavam da palidez; a própria face fugia de si , afogava-se

nos poços negros de olhos sem espelho.

O sentimento não mais escorria, escorria apenas a baba bovina

no hálito de catacumba . Não mais a provar o néctar na seda úmida de uns lábios de mulher.

A carne já não lhe dizia, silenciara a espera dos passos balbuciantes da companheira; deitado e a incaroavel por mais uma noite lhe negara a visita.

Wilson Roberto Nogueira. A última consorte



Quando a margem esquerda do rio secar,

sonhará em mosaico

caminhos ao poente.



Wilson Roberto Nogueira

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