terça-feira, outubro 12, 2010

um dia...escreverei


mas nos dias que são noites

meu caminhar turva e

não encontro a tinta para começar a pintar a vida

curva numa reta rumo aonde não sei

perdido procuro no porto a pausa da lei

escreverei um livro não sei

só o sonho que ainda não sonhei

sabe o quanto meu fusca capota na curva

nas curvas das gurias ria

que o riso não custa nada

só o amor a dar gozo a mau sinada

desdita vida das musas que fogem

na folhagem procurando serem miradas

fogem quando se querem pegar

riem quando querem chorar

e quando choram tal a força do riso

das veias a ferver

ferve também a alma no poeta

que se crê amante de uma musa

que ora ausente chora

pois o poeta cego se acovarda

teme atravessar a vida para a eternidade da pallavra

lavra a dor acostuma-se a semear o pranto

a principio apenas de si depois dos outros

irriga a vida e se afoga na bebida amarga.

Não sou e nunca serei autor de livros pois a vida

se me foge rápida demais para persegui-las

e acorrentá-las

em persona aragens.

Wilson Roberto Nogueira

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